- A promotora justiça dos EUA abriu uma ação não selada contra Nicolás Maduro e a esposa, acusando-os de chefiar um governo “corrupto” alimentado por tráfico de drogas, com acusações de narco-terrorismo e importação de cocaína.
- Maduro e a esposa, Cilia Flores, são apontados junto de familiares e outras quatro pessoas, enfrentando quatro acusações: conspiração de narco-terrorismo, conspiração de importação de cocaína, posse de armas de fogo e dispositivos destrutivos, e conspiração para posse de armas.
- A acusação afirma que o governo venezuelano, com apoio de cartéis e grupos narco-terroristas, permitiu a movimentação de milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos, chegando a até 250 toneladas por ano até 2020.
- Cartéis como o Sinaloa e a gang Tren de Aragua teriam atuado diretamente com o governo venezuelano, repassando lucros a altos funcionários em troca de proteção.
- Maduro foi detido durante uma operação militar na Venezuela e deverá enfrentar julgamento nos tribunais federais de Manhattan, com a justiça americana ressaltando que agiria “sob a jurisdição dos EUA” para responsabilizá-lo.
O Departamento de Justiça dos EUA tornou público um inquérito não selado que acusa Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, e a esposa dele de chefiar um governo corrupto alimentado por uma operação de narcotráfico que levou cocaína ao território norte-americano. Maduro e a primeira-dama foram presos em uma operação militar de grande alcance na Venezuela, na madrugada de sábado.
A acusação aponta que Maduro colaborou com traficantes violentos para facilitar o envio de milhares de toneladas de cocaína para os EUA. Também sustenta que o governo venezuelano ofereceu apoio logístico e proteção policial a cartéis, com repasse de lucros a oficiais de alto escalão.
Além de Maduro, a esposa Cilia Flores, o filho e outras três pessoas aparecem no inquérito. Maduro responde a quatro acusações: conspiração de narcoterrorismo, conspiração de importação de cocaína, posse de armamentos pesados e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuí-los.
A denúncia sustenta que haveria ligação com organizações como o cartel de Sinaloa e a gang Tren de Aragua, que teriam operado com o governo venezuelano e enviado recursos a autoridades para proteção. Segundo o documento, a cocaína teria cruzado por vias marítimas, aéreas e terrestres, chegando aos EUA.
A acusação afirma que o aparato estatal permitiu que a corrupção associada ao tráfico prosperasse para benefício de Maduro, de membros do regime e da própria família. Também aponta que autoridades venezuelanas teriam incentivado o uso de disfarces legais para facilitar a atuação dos cartéis.
O inquérito sustenta que o governo forneceu cobertura policial e apoio logístico a traficantes, resultando em milhares de toneladas traficadas até 2020. Entre os mecanismos estariam embarcações rápidas, barcos de pesca e aeronaves, com rotas clandestinas.
O governo americano afirma que houve ordens de sequestros, espancamentos e assassinatos ligados à dívida de drogas. Entre as vítimas, haveria um chefe local do tráfico em Caracas, conforme a acusação.
A esposa de Maduro é citada por supostamente aceitar propinas para facilitar encontros entre traficantes e autoridades anti-drogas, com pagamentos mensais e comissões por voos de cocaína. Parte do dinheiro, segundo a acusação, teria ido para Maduro e familiares.
Conforme o documento, parentes de Flores teriam discutido remessas de cocaína a partir de um aeroporto presidencial venezuelano, em conversas gravadas com fontes do governo dos EUA. Os envolvidos teriam previsto enviar grandes volumes de cocaína aos EUA.
Em coletiva, autoridades norte-americanas apresentaram a operação como ação de cumprimento da lei. O secretário de Estado interino, Marco Rubio, descreveu a captura como função de aplicação da lei, com apoio de componentes militares. Rubio mencionou recompensa de 50 milhões de dólares por Maduro.
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