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O que há de novo nesta onda de protestos no Irã

Protestos no Irã migram de reforma para mudança de regime, impulsionados pela crise econômica e pela mobilização ampla em várias cidades

A protester flashes a victory signs as traffic slows during demonstrations in Hamedan, Iran, on Jan. 1.
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  • Nos últimos dias de dezembro de 2025 e início de 2026, Irã voltou a registrar protestos generalizados, iniciados no bazar de Teerã e se espalhando para grandes cidades e universidades.
  • O gatilho imediato é econômico: desvalorização do rial, inflação acima de 50% e aumento do custo de itens básicos.
  • Em 2022, o movimento foi impulsionado por questões de direitos e dignidade; em 2025-26, o foco migra para mudança do regime, embora mantenha elementos de insatisfação social.
  • As manifestações se difundem pelas redes sociais e já enfrentam repressão, com relatos de detenções e violência, mantendo o governo sob pressão.
  • Sinais de mudança de tom incluem endurecimento contra o regime e surgimento de apelos monarchistas, além de possíveis tentativas de diálogo internacional sem garantias de concessões.

Após protestos maciços se intensificarem no final de dezembro de 2025, o Irã vive um novo momento de agitação. O estopim foi econômico: a moeda caiu a quase 1,4 milhão de rial por dólar, a inflação passou de 52% e o custo de bens básicos subiu. Teerã, bazar e universidades foram os focos iniciais.

Os levantamentos começaram em Teerã, no Grande Bazar, e se expandiram para outras cidades, entre elas Isfahan, Mashhad e Hamedan. Comerciantes fecharam lojas e jovens participaram de manifestações, com o objetivo de contestar a gestão econômica e o governsno. A resposta policial já é marcada pela repressão.

O movimento de 2025 contrasta com a onda de 2022, desencadeada pela morte de Mahsa Amini. Naquele ano, as pautas giravam em torno de dignidade, autonomia e direitos das mulheres. Em 2025, a crista central é a insatisfação econômica, ainda que mantenha o clamor por mudanças políticas.

A central de gravidade das ações mudou: hoje, a demanda por mudança de regime ganha espaço em meio aos estratos sociais mais afetados. A participação de trabalhadores, estudantes, mulheres e minorias indica um alcance geográfico e social maior do que no primeiro ciclo de protestos.

As redes sociais seguem impulsionando as mobilizações. Vídeos de greves no bazar e de aulões estudantis circulam, ampliando a atenção internacional. Em ambos momentos, governos reprimem com detenções em massa e denúncias de violência.

O governo iraniano mantém a narrativa de que as manifestações são influenciadas por potências externas. Enquanto isso, há sinais de tentativas de diálogo com a situação internacional, sob a égide de contenção de pressão externa. Internamente, porém, a insatisfação persiste.

Outro aspecto relevante é o peso regional. Em 2025-26, aliados estratégicos do Irã sofrem retração, e o programa nuclear enfrenta impactos de ações de terceiros. A liderança continua a defender o controle interno, mesmo diante da erosão de capacidades regionais.

As autoridades destacam medidas como a troca de responsáveis econômicos e promessas de diálogo. No entanto, especialistas apontam que alterações pontuais não resolvem as causas estruturais da crise. O futuro do movimento depende de unidade social e de capacidade de ampliar demandas políticas.

Em síntese, as manifestações de 2025-26 mantêm o fio de insatisfação com o regime, mas aprofundam o choque entre economia desorganizada e legitimidade governamental. O desenlace dependerá de fatores internos e do curso da resposta ao desgaste vivido pela população.

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