- Protestos já alcançam 26 das 31 províncias do Irã, com mais de 20 mortes e quase 1.000 prisões, na nona dia de manifestações.
- O governo, sob Masoud Pezeshkian, aposta em concessões econômicas, incluindo subsídios cambiais diretos aos consumidores; pode subir preços de alimentos no curto prazo.
- A inflação anual chegou a 52,6% em dezembro, ajudando a pressionar o rial e alimentar as protestas.
- Autoridades anunciaram reformas, incluindo reajustes salariais de até 43%, queda do imposto sobre valor agregado para 10% e alocação de 8,8 bilhões de dólares em subsídio cambial para conter preços básicos.
- Organizações internacionais pedem protestos pacíficos, enquanto há denúncias de violência em Ilam, com prisões na Universidade de Birjand.
O governo iraniano sinaliza concessões econômicas arriscadas para atenuar o descontentamento de manifestantes que cobram mudanças políticas. As ações visam reduzir corrupção e aliviar o custo de vida, mantendo pressão sobre a economia e o regime. As manifestações entram no nono dia e já alcançam 26 das 31 províncias.
Os motins ganharam força após a inflação disparar e o rial perder valor. Segundo autoridades, a inflação de dezembro ficou em 52,6%. O governo aponta mudanças no sistema de subsídios cambiais como caminho para corrigir distorções, prometendo novas transferências diretas aos consumidores.
Pelo menos 20 pessoas teriam morrido e quase 1.000 já foram presas, conforme organizações de direitos humanos com base nos EUA. Os protestos começaram em Teerã, estenderam-se a cidades médias e a zonas rurais, impactando o comércio e universidades, como o caso da Universidade de Birjand, alvo de ações policiais.
Reformas econômicas visam cortar corrupção e estabilizar custos
A mudança no sistema de subsídios cambiais anunciará fim de subsídios para importação via câmbio artificial, substituídos por transferências diretas a moradores. O governo diz que o novo modelo enfrentará corrupção histórica, reduzindo desvios dos recursos públicos.
O presidente Masoud Pezeshkian informou que o objetivo não é eliminar subsídios, mas entregá-los aos consumidores finais. A fala ocorreu enquanto o governo discute mudanças orçamentárias, com impactos esperados sobre preços de produtos básicos.
O Tribunal de Justiça e o governo avaliam medidas para conter a escalada de movimentos. O chefe da Justiça, Gholamhossein Mohseni Ejei, viu encerrada a fase de concessões, citando apoio de Estados Unidos e Israel aos distúrbios. Afirmou que futuras concessões não ocorrerão.
Reações internacionais e próximos passos
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu respeito aos protestos e o direito de manifestação pacífica, enfatizando a prevenção de novas mortes. A situação também recebeu comentários do governo de Israel e de outras Nações, que destacaram o papel dos direitos humanos.
Nações como os EUA reiteraram apoio aos manifestantes caso ocorram ataques, enquanto estrangeiros contestam a responsabilização por parte do governo iraniano. O chanceler iraniano acusou intervenção psicológica externa e pediu contenção a interlocutores internacionais.
Pesquisas oficiais indicam que o orçamento pode incluir reajustes salariais de até 43% para servidores, redução do imposto sobre valor agregado para 10% e uso de quase US$ 8,8 bilhões para manter estáveis os preços de itens básicos. As propostas buscam também compras garantidas de trigo e ajuste de pensões.
A crise permanece, com interrupções de produção e energia afetando indústrias locais. O governo espera que as mudanças fiscais e cambiais reduzam a inflação e estabilizem o mercado, mas a resposta popular permanece tensa e incerta.
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