- Ações dos Estados Unidos na Venezuela, incluindo a captura de Nicolás Maduro, elevam o risco de fuga de criminosos ligados a facções transnacionais para o Brasil.
- Especialistas dizem que o governo brasileiro não tem capacidade operacional para impedir entradas ilegais pela fronteira com a Venezuela, enfatizando triagem de refugiados como atuação principal.
- O risco seria maior com a possível chegada de líderes de organizações criminosas, que poderiam ingressar de forma discreta, em aeronaves privadas ou barcos de luxo.
- O ministro da Defesa afirma que a fronteira está sob controle, com cerca de 200 militares na região, mais 2.300 em Roraima e um total de dez mil na Amazônia; não há necessidade de reforço imediato.
- Analistas apontam três rotas prováveis de fuga: Colômbia, Guiana Francesa e Brasil; destacam a necessidade de inteligência, vigilância de fluxos migratórios e cooperação entre órgãos para evitar expansão dessas redes no Brasil.
O choque militar dos EUA na Venezuela, que levou Nicolás Maduro a perder o poder no último fim de semana, aumenta a preocupação sobre fuga de criminosos transnacionais para o Brasil. Especialistas apontam que grupos protegidos pelo regime podem partir ante a ofensiva contra o narcotráfico alegada por Washington.
Segundo o coronel da reserva da Polícia Militar Alex Erno Breunig, o governo brasileiro não dispõe hoje de capacidade para impedir a entrada ilegal de criminosos pela fronteira com a Venezuela. A avaliação é de que a triagem de refugiados não basta para coibir fluxos clandestinos.
Breunig afirma que conter fugas demandaria recobrimento permanente da fronteira, monitoramento de rios e vigilância do espaço aéreo, medidas que o país não tem condições de sustentar no momento. O perigo, diz, vem principalmente de líderes de organizações criminosas.
Risco de ingresso de líderes e redes criminosas
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, minimiza os riscos, dizendo que a fronteira está aberta e sob controle. Ele cita cerca de 200 militares na fronteira, mais 2.300 em Roraima e um contingente de 10 mil na Amazônia, considerando o efetivo adequado para a região.
Para o ministro, não há necessidade de reforço imediato e a situação é de tranquilidade, com as forças armadas acompanhando os desdobramentos. A avaliação contrasta com a visão de especialistas de segurança pública, que defendem vigilância reforçada.
O investigador Sérgio Leonardo Gomes ressalta que a fronteira amazônica exige atenção redobrada, dada a histórica exploração por organizações estrangeiras. A estratégia recomendada é o uso intensivo de inteligência para antecipar movimentos e evitar a entrada de dirigentes do narcotráfico venezuelano.
Rotas potenciais de fuga e atuação de facções
Marcelo Almeida, sociólogo, aponta três rotas prováveis de fuga caso haja debandada após as ações americanas: Colômbia, Guiana Francesa e Brasil. A presença de grupos como o Tren de Aragua já é citada pelas autoridades como contingência em território brasileiro.
Fontes ligadas a investigações indicam que a região de Boa Vista (RR) já registra atuação de facções venezuelanas, com ligações a grupos brasileiros como o PCC. Relatos de fronteira destacam uso de rotas transfronteiriças para cocaína, armas e outros ilícitos.
O Ministério da Justiça afirma acompanhar a situação e se preparar para eventual aumento de refugiados venezuelanos que ingressam no Brasil, com foco especial em Roraima, porta de entrada mais relevante.
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