- A Flandres propõe transferir a coleção da M HKA, de cerca de 8.000 obras, para o Smak, em Ghent, o que tiraria o status de museu da instituição em Antwerp.
- Diretores da M HKA criticaram o plano, descrevendo como ilegalidades no redesenho do panorama museal e destacando o papel histórico de Antwerp.
- Artistas famosos, como Luc Tuymans e Anish Kapoor, reagiram publicamente, com Kapoor dizendo que não pode aceitar a retirada de suas obras ou risco a elas na reorganização.
- A proposta de Caroline Gennez, ministra da Cultura da Flandres, reúne coleções em três museus de referência para arte histórica, moderna e contemporânea; outras instituições de destaque na região também foram mencionadas.
- Questionamentos sobre custos: órgão financeiro europeu afirmou que os ganhos seriam fragmentários, estimando queda de custos operacionais de cerca de € 8 milhões para € 5 milhões, enquanto espaço no Smak pode exigir investimento para armazenamento e exposição adequados.
A transferência de acervo e o desmonte da galeria mais antiga de arte contemporânea de Antuérpia estão gerando reação de artistas e do setor cultural. A medida, defendida pela região de Flandres, prevê economizar recursos públicos ao transferir a coleção do Museum of Contemporary Art Antwerp (M HKA) para Ghent, em Smak. A discussão ganhou impulso após anúncio do governo regional e será tema de debate no parlamento na próxima sexta-feira.
Diretores do M HKA, fundado em 1985, apresentaram reação firme em Antuérpia durante uma coletiva. Eles classificaram como ilegal o redesenho do cenário museológico e disseram que a mudança desrespeita princípios de gestão cultural. A proposta também envolve a eliminação do status de museu do espaço.
A coleção do M HKA envolve cerca de 8 mil obras. Entre os nomes de destaque estão Kerry James Marshall, Anish Kapoor e Marina Abramović. A intenção é centralizar acervos de arte em três museus-polo do território, segundo as regras da administração cultural local.
Mudança de foco e impactos
O pintor belga Luc Tuymans criticou a medida, afirmando que deslocar uma instituição museal para um formato de centro de artes seria inaceitável. Em nota, ele disse que o ecossistema cultural não existe para receber tal transplante de acervo.
O britânico Anish Kapoor comunicou ao ministério da cultura de que não aceita a retirada de suas obras do M HKA ou qualquer risco ligado à reorganização institucional. A posição de Kapoor foi confirmada por mensagens recebidas pela imprensa.
O Ministério da Cultura de Flandres, chefiado pela socialista Caroline Gennez, sustenta que o redesenho reduziria custos operacionais. Em relatório enviado a Gennez, a inspectoría financeira avaliou as propostas com reservas, chamando as economias de fragmentárias.
A ideia é que, a longo prazo, a movimentação da coleção reduza despesas de funcionamento de cerca de 8 milhões de euros para 5 milhões de euros. Contudo, há incerteza sobre custos de empréstimos de obras e de aquisições para manter a atração de público.
Ghent, onde fica o Smak, fica a aproximadamente uma hora de trem de Antuérpia. A instituição anfitriã hoje não tem espaço suficiente para armazenar todo o acervo do M HKA sem investimentos para expansão. A viabilidade logística é parte do debate público.
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