- María Corina Machado planeja retornar ao Venezuela o quanto antes e nega a autoridade da presidente interina Delcy Rodríguez, apoiada pelos Estados Unidos por ora.
- Em entrevista à Fox News, a oposição afirmou que venceria uma eleição livre e elogiou Donald Trump pelo que consideram derrubada de Maduro.
- O governo venezuelano divulgou decreto de estado de comoción externa, mobilização dasForças Armadas e suspensão do direito de reunião, após a prisão de Nicolás Maduro na madrugada de sábado.
- Pelo menos 14 jornalistas e trabalhadores da imprensa foram detidos em Caracas; 13 foram liberados posteriormente, com um deportado entre eles.
- Houve relatos de tiros e explosões próximos ao palácio Miraflores; o governo disse ter aberto fogo contra drones não autorizados na área.
María Corina Machado reafirmou nesta segunda-feira a intenção de retornar ao território venezuelano o quanto antes e rejeitou a autoridade da presidente interina apoiada pelos EUA, Delcy Rodríguez, após a detenção de Nicolás Maduro. A líder da oposição concedeu entrevista a Fox News a partir de local não divulgado.
Machado afirmou que o movimento oposicionista está preparado para vencer uma eleição livre, condicionando o pleito a regras justas. Comentou ainda que acredita ter ganho as eleições de 2024 por larga margem, sob condições fraudulentas, e que, em eleições democráticas, venceria com mais de 90% dos votos.
Segundo relatos, havia expectativa de que Machado assumisse a posição de liderança após a detenção de Maduro no fim de semana. Contudo, Trump apoiou Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro, em um desdobramento que gerou rumores sobre a continuidade da transição.
A oposicionista também acusou Rodríguez de ser responsável por torturas, perseguição e envolvimento com narcotráfico, afirmando que a repressão aumentou após o sábado. Machado completou que não manteve contato com o ex-presidente Trump desde 10 de outubro.
Em discurso separado, Machado elogiou a visão e as ações do presidente Joe Biden no passado, embora o foco recente tenha sido a dinâmica interna venezuelana. Ela acrescentou que o povo venezuelano agradece as ações vistas como políticas para enfrentar o que chama de regime narco-terrorista.
Desdobramentos políticos e jurídicos
O Wall Street Journal informou que Trump decidiu apoiar Rodríguez após avaliação de analistas da CIA, que sinalizaram dificuldades de Machado e do candidato Edmundo González Urrutia em obter legitimidade diante o aparato de segurança a favor do regime. A narrativa oficial, entretanto, aponta tensões internas na oposição.
Fontes próximas ao governo indicam que Trump pode ter ficado irritado com a aceitação do Nobel pela oposição, sugerindo que o gesto influenciaria a escolha de alianças futuras. A Washington Post mencionou a possibilidade de motivações pessoais por trás das decisões.
Estado de exceção e mobilização
No fim de semana, Maduro foi detido e, neste sábado, o governo venezuelano publicou decreto que declara estado de comoción externa, equivalente a uma mobilização de emergências. O texto autoriza buscas, captura de envolvidos e reforça o uso das Forças Armadas.
O decreto também prevê a militarização de infraestrutura pública, do setor petrolífero e de indústrias estatais básicas, além de suspender direitos de reunião pública e protesto. A medida amplia o controle sobre o espaço público durante a crise.
Repercussões na imprensa e na população
Registros indicam a detenção de 14 profissionais de imprensa, com 13 ligados a veículos internacionais, durante o fim de semana. A maioria foi liberada posteriormente, com uma pessoa deportada. Relatos locais apontam disparos e explosões noturnas perto do Palácio Miraflores.
O governo venezuelano afirmou ter atuado contra drones não autorizados sobre a região do Palácio de Miraflores. A incidência de incidentes reforça a tensão entre o governo e a oposição, em meio a provas de disputas de poder no país.
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