- A captura e derrubada de Nicolás Maduro na madrugada de 3 de janeiro, em Caracas, provocaram reação contida em Manágua, onde vivem Daniel Ortega e Rosario Murillo.
- A primeira manifestação oficial foi assinada pelo “Governo de Reconciliación y Unidad Nacional”, sem mencionar Maduro pelo nome e sem as usuales críticas aos Estados Unidos.
- A polícia reforçou o complexo El Carmen e houve aumento de efetivos nas ruas de Manágua, com detenção de Oswaldo Rocha, jornalista aposentado, por comentários sobre Maduro nas redes.
- A relação entre Maduro e o casal Ortega-Murillo vinha diminuindo; Caracas já havia reduzido visitas a Managua e o apoio econômico, mas ainda eram aliados ideológicos próximos.
- Estados Unidos aponta Nicaragua como país de trânsito de drogas; documentos judiciais citam Centroamérica como corredor para o tráfico, sem envolver autoridades de Ortega-Murillo, e Washington designou o país como polo crítico na luta antidrogas.
Após o ataque dos EUA a Caracas na madrugada de 3 de janeiro, Nicolás Maduro foi capturado e removido do poder. O impacto imediato chegou a Managua, no Reparto El Carmen, onde residem Daniel Ortega e Rosario Murillo, com resposta cautelosa do casal no governo sandinista. A reação ocorreu poucas horas após o bombardeio ordenado, segundo relatos de veículos internacionais.
O comunicado inicial do governo nicaraguense foi breve e sem ataques diretos a autoridades norte-americanas. A nota oficial, assinada pelo Governo de Reconciliación y Unidad Nacional, expressou apoio à defesa da Verdade, Justiça e Vida, e à libertação de Maduro e Cilia Flores. Policiais reforçaram a segurança no complexo El Carmen.
Na manhã seguinte, moradores de Managua observaram maior presença policial nas ruas, em um contexto de estado de vigilância iniciado após protestos de 2018. Também houve a detenção de um jornalista retirado, Oswaldo Rocha, por comentários sobre a queda de Maduro em redes sociais.
Contexto regional
Críticos destacam que a relação entre Managua, Caracas e Havana permanece estreita, ainda que tenha passado por tensões recentes. Washington designou a Nicarágua como país de trânsito de cocaína em liga com a operação contra Maduro, citando ligações com o Cartel de los Soles e redes de tráfico que operariam pela região.
No âmbito judicial, a acusação norte-americana de Maduro menciona a Nicarágua como rota regional de tráfico, sem apontar funcionários do governo de Ortega-Murillo como envolvidos diretamente. Ainda assim, especialistas indicam que o país pode surgir como elemento relevante em desdobramentos do processo.
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