- Em 7 de outubro de 2023, milhares de pessoas foram mortas ou sequestradas por Hamas em áreas de Israel, com centenas de reféns sobreviventes contando sua experiência traumática.
- Para muitos reféns, a música foi uma tábua de salvação durante o cativeiro, ajudando a manter sanidade, memória e conexão com o mundo fora dos tunéis.
- Moran Stella Yanai disse que a canção My Way, de Frank Sinatra, funcionou como mantra e espaço seguro em meio às agressões durante 471 dias de cativeiro.
- Doron Steinbrecher destacou que conseguir ouvir rádio e músicas de casa ajudou a manter contato com a realidade, com a canção Disconnect Me ganhando significado durante a captura.
- Alon Ohel, pianista preso por 738 dias, manteve a prática musical como fio condutor da recuperação e anunciou ensaio para um show em 9 de fevereiro, em Tel Aviv, com outros sobreviventes.
Durante os ataques de 7 de outubro de 2023, Hamas yandides sequestraram 1.219 pessoas de 21 nacionalidades em áreas de Israel próximas à Faixa de Gaza. Entre os reféns, 250 passaram pela incerteza da cativeiro e relatam ter encontrado refúgio emocional na música, que ajudou a manter a sanidade e a conexão com o mundo externo.
A narrativa se concentra em relatos de sobreviventes que descrevem como canções de diversas origens serviram como trilha para enfrentar abusos, medo e solidão. Cada história traça um caminho de resiliência, memória e resistência cultural durante o cativeiro.
Apoiados pela própria experiência recente, os relatos destacam o papel da música na preservação da identidade durante o confinamento. Em meio aos horrores, temas musicais antigos surgem como bússola emocional e motor de sobrevivência.
Elementos que marcaram a experiência
Moran Stella Yanai, designer de joias de 40 anos, foi sequestrada durante a fuga do festival Nova. Ela relata que a presença de Frank Sinatra no imaginário — especialmente My Way — funcionou como mantra, oração e mapa para enfrentar a situação. A música ajudou a manter a sensação de “estar em casa” mesmo sob constante ameaça.
Doron Steinbrecher, retirada de Kibbutz Kfar Aza e mantida em cativeiro por 471 dias, descreve a radiofrequência como fio de conexão com a realidade. Um trecho de uma faixa electro-dance sobre o Nova festival a acompanhou nos túneis, ajudando a traduzir o sentir de estar preso em um pesadelo sem fim.
A cujos passos, Steinbrecher pediu a Daniella Gilboa para receber canções específicas quando precisava de ânimo. A prática de cantar em público era arriscada para mulheres, mas Yanai chegou a cantar em voz alta uma canção árabe para conseguir alimento, obtendo cuidado em retorno.
Trajetos individuais e desdobramentos
Com o tempo, encontros deliberados entre Yanai, Steinbrecher e outras sobreviventes criaram laços de apoio mútuo. A interação entre artistas e reféns ganhou contornos de resistência simbólica, com ações que reforçavam a sensação de humanidade em meio à opressão. Uma pomba de esperança, em termos musicais, atravessou o período.
Alon Ohel, pianista de 24 anos com cidadania sérvia e alemã, também participou do Nova. Ele recorda que a música foi a linha de vida durante 738 dias de cativeiro. Entre improvisos no silêncio das áreas subterrâneas, surgiram referências a composições de Bill Withers e do grupo The Police, além de uma canção israelense em particular que ganhou nova força emocional.
Entre os momentos de maior conexão, a canção Shir LeLo Shem, de Yehudit Ravitz, ganhou destaque para Ohel. A mãe dele organizou ações de divulgação e levou um piano amarelo a Hostage Square para sinalizar apoio. Apesar da distância física, a música manteve Ohel firme, com a expectativa de um reencontro que se confirmou após a libertação.
Olho no futuro
Após a libertação, Ohel planeja retornar aos palcos em Tel Aviv, com um show marcado para 9 de fevereiro, ao lado de outros sobreviventes. O objetivo é reiterar que a música é uma linguagem universal que transmite esperança. A trajetória dos reféns aponta para uma narrativa de resiliência que segue viva.
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