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Táticas de Trump podem desfazer a estratégia dos EUA no Sudeste Asiático

A política "America First" de Trump, centrada no ganho econômico, pode fragilizar a influência dos EUA no Sudeste Asiático e reconfigurar alianças regionais

U.S. President Donald Trump appears at the annual ASEAN summit in Kuala Lumpur, Malaysia, on Oct. 26, 2025.
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  • A gestão de Trump na Sudeste Asiático teve avanços na participação multilateral com a ASEAN e no fortalecimento de relações bilaterais com Filipinas, Vietnã e Indonésia, além de buscar contatos com Camboja.
  • Os benefícios foram ofuscados pelos efeitos das tarifas dos EUA sobre as exportações da região.
  • O enfoque transacional de Washington gera confusão, frustração e desconfiança sobre as intenções americanas na região.
  • A estratégia nacional de segurança coloca a região mais como instrumento para interesses econômicos dos EUA do que como parceira estratégica, aumentando a incerteza regional.
  • A consequência provável é uma reconfiguração gradual de alianças na ASEAN, com estados diversificando parcerias e ressurgindo maior espaço para China, Japão, Índia, Rússia e outros, além de atenção contínua a rotas comerciais e minerais críticos.

O governo de Donald Trump mostrou, no primeiro ano, avanços e entraves na relação dos EUA com o Sudeste Asiático. O país reforçou a participação multilateral com a ASEAN e aprofundou laços com Filipinas, Vietnã e Indonésia, buscando também aproximação com Camboja. Ao mesmo tempo, as tarifas americanas pesaram sobre as exportações da região.

A estratégia de Washington, marcada pelo transactionalismo, pode fortalecer ganhos de curto prazo, mas coloca a influência de longo prazo em risco. A imprevisibilidade de Trump alimentou dúvidas sobre as verdadeiras intenções dos EUA na região.

A esse cenário soma-se a operação militar de 3 de janeiro contra Nicolás Maduro, que gerou preocupação de parceiros como Cingapura sobre a observância do direito internacional. Houve, ainda, pouca referência à Ásia-Sudeste no NSS, centrando-se mais em objetivos econômicos.

Realismo frio e recalques estratégicos

Estados nacionais que são aliados ou têm interesse estratégico com os EUA avaliam a abordagem como mais translúcida, priorizando ganhos nacionais. Países autoritários ou semiautoritários veem vantagem na clareza sobre prioridades americanas, incluindo interesses nacionais.

Por outro lado, aliados dos EUA que dependem de deter a China exibem crescente inquietação. Há expectativas de buscar alternativas estratégicas, com China, Rússia ou coalizões envolvendo Japão, Austrália, Índia, Coreia do Sul, UE ou Reino Unido.

O indício é de que a Ásia-Sudeste possa perder o papel de contrapeso firme a Pequim. Em anos seguintes, parcerias históricas com os EUA podem se reconfigurar, com maior abertura para acordos com a China ou outras potências, aumentando a ambiguidade estratégica na região.

Interesses norte-americanos e áreas de foco

Um eixo de atenção é a segurança de rotas comerciais. O NSS sustenta que um ataque chinês a Taiwan afetaria interesses dos EUA, citando o papel estratégico do Mar do Sul da China para o comércio mundial.

Essa linguagem tende a causar inquietação entre membros da ASEAN que contestam as reivindicações marítimas da China. A relevância econômica da região para Washington depende de alinhamento entre interesses nacionais e compromissos com parceiros.

A relação com as Filipinas é citada como exemplo de teste: houve encontro entre o presidente Marcos Jr. e Trump, e a criação de uma força-tarefa para cooperação marítima. Ainda não fica claro como essa cooperação se compara a prioridades militares dos EUA.

Vietnam, sem tratado formal, também enfrenta dúvidas. Hanoi elevou vínculos com Washington em 2023 para o nível de “abrangente estratégico”, mas o NSS indica que Washington pode priorizar interesses imediatos em detrimento de defender as reivindicações marítimas de Viêt Nam.

Minérios, cadeias de suprimento e tecnologia

Trump enfatizou a obtenção de minerais críticos em visitas e negociações com Camboja, Malásia, Tailândia e Indonésia, incluindo o acesso a níquel, cobalto e outros recursos estratégicos. O objetivo é reduzir dependência de fornecedores externos, principalmente chineses.

A iniciativa Pax Silica busca garantir cadeias de suprimento para semicondutores, citando Singapura como parceiro-chave e incluindo aliados como Austrália, Japão e Coreia do Sul. A participação do Sudeste Asiático ficou limitada.

O governo também sinalizou interesse em recursos de Mianmar, sob contexto de guerra civil, o que revela a disposição de usar acordos de alívio de sanções para acesso a minerais críticos.

Implicações para o equilíbrio regional

O NSS marca uma mudança de abordagem, abrindo espaço para que os países da região busquem maior autonomia estratégica. A importância de alianças, valores e previsibilidade, porém, permanece como diferencial histórico dos EUA em relação a outras potências.

Analistas apontam que a relevância de alianças duráveis pode depender da capacidade dos EUA de alinhar interesses econômicos e de segurança com parceiros da região. Sem esse alinhamento, a região pode diversificar parcerias com China, Rússia ou outras potências.

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