- Eurasia aponta 2026 como ano de grande incerteza geopolítica, com impactos moderados no Brasil e eleições presidenciais fortemente determinantes para o futuro político do país.
- Risco 1: revolução política nos Estados Unidos envolve o avanço de Trump para desmantelar freios e contrapesos, com possíveis efeitos econômicos adversos para o Brasil se o ambiente de risco for ampliado.
- Risco 5: a Rússia pode intensificar a guerra na Ucrânia e aumentar operações na zona cinzenta contra a Organização do Tratado do Atlântico Norte, elevando riscos de interrupção de commodities e inflação global.
- Risco 9: o acordo norte-americano, mexicano e canadense (USMCA) fica indefinido como “zumbi”, criando oportunidades moderadas para o Brasil nas negociações do Mercosul com Canadá e México.
- Risco 10: a água, recurso cada vez mais disputado, pode afetar o Brasil sobretudo por ações no estado de São Paulo e possíveis impactos econômicos e políticos durante o ciclo eleitoral.
O relatório da consultoria Eurasia situa 2026 como um ano de grande incerteza geopolítica. O documento destaca que o governo Trump busca afirmar poder sobre as Américas, em meio a tensões regionais e casos de alto impacto. O texto cita a captura de Nicolás Maduro como exemplo dos desdobramentos recentes.
Analistas apontam que a atuação de Washington revive a lógica da Doutrina Monroe, ampliada para consolidar influência regional. Em 2025, conflitos, sanções e pressões econômicas integraram esse desenho, com impacto potencial sobre o Brasil, ainda que de forma moderada.
Para o Brasil, o estudo prevê impactos variados: alguns riscos podem até trazer benefícios de curto prazo. Contudo, as eleições presidenciais de 2026 tornarão o cenário político brasileiro especialmente competitivo, com os riscos globais capazes de influenciar o resultado.
Risco 1: Revolução política nos EUA
Trump atua para reduzir freios e contrapesos, visando reorganizar o governo como arma. A leitura econômica aponta que, em 2025, o cenário foi relativamente estável para o Brasil, mas 2026 pode trazer volatilidade se o ambiente fiscal americano piorar. O Brasil permanece vulnerável a choques externos, com espaço limitado de política econômica para amortecer impactos.
Risco 2: Superpoderosos
A dominância da “pilha elétrica” – baterias, motores, IA – está centralizada na China, enquanto os EUA sinalizam queda de liderança. Em 2026, a competição tecnológica tende a se acentuar, com impactos diretos sobre cadeias produtivas globais e alternativas de suprimento para o Brasil.
Risco 3: A Doutrina Dunroe
Trump busca primazia regional com pressão militar, coercitiva econômica e alianças estratégicas. A região pode sentir mais ações, com a posição do Brasil favorecendo-se pela riqueza em minerais críticos. A relação com os EUA pode sofrer ajustes diante de decisões políticas brasileiras, particularmente sobre o STF. O risco econômico envolve tarifas e disputas comerciais que podem atrasar acordos bilaterais.
Risco 4: Europa sob cerco
França, Alemanha e Reino Unido enfrentam instabilidade interna e pressões externas, com consequências para a cooperação multilateral. O Brasil pode ter resposta limitada no curto prazo, dependente de um acordo UE–Mercosul já em andamento. A turbulência europeia dificulta agenda climática, comércio e direitos humanos.
Risco 5: A segunda guerra da Rússia
Conflito na Ucrânia tende a se estender em 2026, com ataques e retrabalho estratégico. A maior ameaça vem da zona cinzenta contra a Otan, elevando o risco de confrontos na Europa. Interrupções em fluxos de commodities podem afetar preços de energia e fertilizantes, influenciando a inflação brasileira.
Risco 6: Capitalismo de Estado americano
O intervencionismo econômico nos EUA pode se ampliar, com ganhos para empresas alinhadas à agenda de Trump e desvantagens para aquelas que não se ajustam. Empresas brasileiras podem sentir um ambiente de competição mais desigual nos EUA, alterando estratégias de investimento e comércio.
Risco 7: A armadilha deflacionária da China
A China enfrenta queda de demanda interna e piora do consumo, levando a uma deflação gradual. Tarifas aplicadas por Washington agravam a situação, comprimindo margens de empresas chinesas. O resultado é maior pressão competitiva global e impactos indiretos para o Brasil, sobretudo em comércio e cadeias de suprimento.
Risco 8: IA devora seus usuários
IA cresce como motor de produtividade, mas modelos atuais ainda alucinam e apresentam falhas. Empresas adotam abordagens diversas; poucos ganhos já se refletem nos resultados financeiros. O mercado precifica uma revolução potencial, com efeito ainda não uniforme na economia real.
Risco 9: Acordo zumbi
O USMCA caminha como acordo desidratado, sem atualização firme, enquanto Trump busca novas margens de negociação com Canadá e México. Para o Brasil, o cenário pode abrir oportunidades moderadas, com Mercosul buscando novas frentes de acesso a mercados.
Risco 10: A arma da água
A água surge como recurso estratégico, com disputas acentuadas e riscos à segurança nacional. O Brasil tem exposição limitada, mas pode enfrentar vulnerabilidade no estado de São Paulo, onde choques hídricos podem afetar a economia e a política local durante o ciclo eleitoral.
Conclusão
O estudo da Eurasia aponta riscos globais que podem influenciar o cenário brasileiro, sobretudo em 2026. O país fica sujeito a oscilações de política externa, flutuações de commodities, tensões comerciais e impactos econômicos indiretos.
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