- Trump ameaçou tomar Groenlândia, território semiautônomo da Dinamarca, alegando uso estratégico para a segurança dos EUA.
- O presidente afirmou que Rússia e China não temem a OTAN sem os EUA e que levou os aliados a elevar gastos de defesa de 2% para 5% do PIB.
- Oito dos 32 países da OTAN defenderam a soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia em um comunicado conjunto.
- A primeira-ministra dinamarquesa Matte Frederiksen disse que atacar um parceiro da OTAN seria o fim de tudo.
- Especialistas entendem que a medida pode buscar conter o comércio da China pelo Ártico e apontam que os EUA influenciam orçamentos europeus e a indústria de armas.
Donald Trump sinalizou a possibilidade de anexar a Groenlândia, território semiautônomo da Dinamarca, enquanto criticava a dependência da Otan dos EUA. O presidente dos EUA afirmou que Rússia e China não temem a aliança caso Washington não esteja presente, e comentou ter aumentado o gasto dos países membros com defesa de 2% para 5% do PIB. A declaração ocorreu após adversidades com aliados diante de ameaças recentes.
Trump sustenta que a intervenção dos EUA forçou países aliados a elevar o investimento militar, destacando ganhos sob sua gestão. Segundo ele, sem a participação norte-americana, a Otan não estaria capaz de agir com eficácia, e que a cooperação econômica e militar seria diferente sem os EUA. A abordagem gerou críticas entre parceiros da aliança.
Após bombardear a Venezuela, o presidente manteve a mensagem de que a Groenlândia é estratégica para a segurança dos Estados Unidos e que poderia haver tomada do território. A avaliação internacional é de que tal medida violaria o direito internacional, segundo a leitura de especialistas consultados pela Agência Brasil.
Reação europeia
Na Dinamarca, a primeira-ministra Matte Frederiksen advertiu que ataques a parceiros da Otan teriam consequências graves para a aliança. O tom foi de concisão sobre a necessidade de defesa comum e a coesão entre os membros.
Um comunicado conjunto, assinado por oito dos 32 países da Otan, afirmou que a Dinamarca detém a soberania sobre a Groenlândia e que cada decisão sobre o território cabe aos dinamarqueses e à Groenlândia. O texto reforçou que os EUA são parceiros importantes nesse esforço de segurança no Ártico.
Análise de especialistas
Especialistas consultados pela Agência Brasil veem a medida como potencial ferramenta para influenciar o comércio marítimo no Ártico, especialmente diante do recuo estético das calotas polares e da expectativa de redução de custos de frete com o degelo. A leitura é de que intervenções assim poderiam alterar o equilíbrio estratégico na região.
Perspectiva de especialistas
O major-general Agostinho Costa, ex-vice-presidente da Associação EuroDefesa-Portugal, avaliou a resposta europeia como tímida frente às ações de Washington. O analista disse que a relação entre EUA e Europa se encontra em um momento de desequilíbrio político, com impactos sobre a percepção de defesa coletiva.
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