- Donald Trump afirmou que a Venezuela fará um boom de petróleo com a entrada de grandes empresas americanas, após Maduro ser capturado por forças especiais dos EUA e indiciado.
- Analistas duvidam de um aumento significativo na produção em dezoito meses e as próprias companhias petrolíferas americanas têm sido reticentes em comentar sobre retorno ao país.
- Historicamente, a produção venezuelana caiu após o governo nacionalizar o setor e expulsar empresas estrangeiras; sanções dos EUA ficaram em vigor de 2005 a 2022, com a Chevron sendo a única gigante americana operando atualmente.
- Em Iraque, a produção se recuperou após a invasão de 2003, com empresas internacionais voltando a licitar em 2009; em 2024 o país foi o segundo maior produtor de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, após a Arábia Saudita.
- Na Líbia, a produção continua instável, controlada por dois governos rivais que usam as exportações de petróleo como alavanca; cessar-fogo parcial em 2020 elevou a produção, mas a volatilidade persiste.
Donald Trump afirmou que a Venezuela pode viver um boom de petróleo após a ofensiva dos EUA contra o governo de Nicolás Maduro, com o país visto como o maior reservatório mundial de petróleo. A declaração ocorreu minutos após a captura de Maduro por forças especiais americanas e sua indicação por crimes relacionados a narcotráfico e armas.
A proposta envolve grandes empresas petrolíferas dos EUA que, segundo o presidente, retornariam ao país para reconstruir o sistema de exploração. Trump descreveu a nacionalização do petróleo venezuelano como um grande furto; não há confirmação de envolvimento imediato dessas companhias.
Analistas divergem sobre a viabilidade de uma recuperação rápida da produção venezuelana, dada a história de sanções, instabilidade política e controvérsias com o setor privado. A sequência recente de tensões alimenta ceticismo sobre prazos e escala de qualquer retorno.
Venezuela
A Venezuela já viveu fases de maior produção com investimentos estrangeiros, principalmente no fim dos anos 1990. No entanto, a partir de 2005, sob Chávez, houve maior controle estatal e saída de empresas estrangeiras.
Sanções americanas vigoraram de 2005 até 2022, quando foram relaxadas para permitir a retomada parcial da Chevron. Hoje, a Chevron é a única grande operadora norte-americana no país. A maior parte das operações permanece com o Estado.
Analistas destacam que, mesmo com aberta a entrada de novos investidores, a instabilidade política pode atrasar ou frear reentradas estratégicamente significativas no curto prazo. A narrativa de Trump, portanto, encontra resistência técnica.
Iraque
Após a invasão de 2003, a produção de petróleo levou anos para se recompor. Em 2009, empresas internacionais passaram a retornar sob convites do governo, buscando incentivos para licenças de exploração.
Em 2024, o Iraque era o segundo maior produtor de crude entre os membros da OPEP, atrás da Arábia Saudita. A economia depende fortemente do petróleo, mas a instabilidade e problemas hídricos afetam a continuidade de grandes planos de investimento.
Essa recuperação foi gradual, com participação de várias empresas globais e ajustes estratégicos do governo para manter produção estável. Tensões regionais e disputas políticas ainda influenciam o cenário.
Líbia
A Líbia apresenta um quadro diferente. Após a queda de Gaddafi em 2011, a produção nunca voltou ao nível anterior e continua volátil por conflitos internos.
O país hoje é governado por duas estruturas distintas, que utilizam as exportações de petróleo como ferramenta de pressão. A situação de ceasefire em 2020 ajudou a elevar a produção, mas a instabilidade persiste.
Entre 2021 e 2022, houve nova queda na produção devido a combates e bloqueios. A Agência de Informação de Energia dos EUA aponta que o desenvolvimento de petróleo segue limitado pela volatilidade política.
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