- O julgamento de um homem de 21 anos, acusado de forçar crianças e adolescentes a se ferirem e a terem atos sexuais online, começou a portas fechadas em Hamburgo, com o caso em segredo devido às vítimas.
- É a primeira vez na Alemanha que alguém é julgado por assassinato em suicídio ocorrido em outra jurisdição; o réu responde por homicídio e cinco tentativas de homicídio.
- Segundo a acusação, ele cometeu 204 crimes entre janeiro de 2021 e setembro de 2023 contra mais de 30 vítimas, liderando o grupo de cibercriminosos chamado “764”.
- O julgamento está previsto até dezembro, com 82 sessões, e não há expectativa de veredicto neste ano.
- Se condenado, a pena pode variar de seis meses a dez anos, pois ele era menor no momento dos crimes; o assassinato costuma ter pena de quinze anos na Alemanha.
O julgamento de um homem de 21 anos começou nesta sexta-feira em Hamburg, na Alemanha, sob sigilo. Ele é acusado de forçar crianças e adolescentes a se machucarem e a praticarem atos sexuais on-line, o que teria levado à morte de um garoto de 13 anos nos Estados Unidos. O processo ocorre na imprensa privada devido à idade e à vulnerabilidade das vítimas, configurando um precedente no país.
O réu, identificado pelo pseudônimo on-line White Tiger, responde a uma acusação de homicídio consumado e a cinco de tentativa de homicídio, segundo a acusação. Ele é acusado de 204 infrações cometidas entre janeiro de 2021 e setembro de 2023 contra mais de 30 vítimas.
A sessão está prevista para durar até dezembro, com 82 audiências planejadas. Não há expectativa de veredito neste ano. Caso seja condenado, a pena pode variar entre 6 meses e 10 anos, pois o acusado era menor à época dos crimes, explicou a juíza Marayke Frantzen.
A pena de homicídio costuma ter ampliação de 15 anos na Alemanha, mas a circunstância de a vítima ser menor altera a aplicação da sentença no caso em debate, conforme o tribunal. O defensor do réu, Christiane Yueksel, afirmou que a acusação de homicídio indireto e de outros crimes é uma construção factualmente incorreta.
Segundo a acusação, o réu liderava um grupo de cibercriminosos denominado 764, ativo na Alemanha, Canadá, Finlândia e Estados Unidos. O grupo teria coagido crianças entre 11 e 15 anos a se machucar e gravado os atos para chantagear as vítimas.
Promotores dizem que o réu tornou crianças emocionalmente dependentes por meio das redes sociais, explorando essa confiança para produzir material de abuso sexual infantil e intensificar o dano causado. A denúncia foi acionada após um alerta do FBI, que investigava a morte do adolescente nos EUA.
A polícia de Hamburg prendeu o suspeito na casa dos pais dele no verão passado, encerrando uma investigação que, segundo autoridades, envolveu cooperação internacional. O caso marca um marco no direito alemão ao tratar de homicídio ligado a atos ocorridos em jurisdições diferentes.
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