- Mais de 2 mil pessoas, incluindo Alberto e família, chegaram a Cúcuta buscando assistência humanitária após uma ofensiva de guerrilhas em Catatumbo, região fronteiriça com a Venezuela.
- O confronto ocorre entre o Exército de Libertação Nacional (ELN) e uma dissidência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), região rica em Coca e laboratórios de crack, com fronteira porosa para a Venezuela.
- Drones armados estão sendo usados por ambos os lados para atingir inimigos e suspeitos de colaborar, aumentando a tensão nas áreas rurais de Catatumbo.
- A evacuação acontece em meio a impactos posteriores à operação dos Estados Unidos na Venezuela em janeiro para prender Nicolás Maduro, com autoridades locais citando restrições de cruzamento na fronteira.
- Analistas afirmam que a influência do shake-up em Caracas pode manter a instabilidade na região, mantendo risco elevado para civis e deslocados, com continuidade de confrontos e deslocamentos.
Na fronteira entre Colômbia e Venezuela, milhares de pessoas fogem de confrontos entre guerrilhas e organizações dissidentes no Catatumbo. A ofensiva mais recente é travada entre o Exército de Libertação Nacional (ELN) e uma dissidência das FARC, já demobilizadas. O objetivo é o controle da região, conhecida pela coca e por laboratórios de droga, além de uma fronteira de passagem aberta com a Venezuela.
A cidade colombiana de Cúcuta recebe refugiados há dias. Ao menos 2.048 deslocados foram registrados pela prefeitura desde 22 de dezembro e a expectativa é de novos chegamentos. Quem fugiu descreve a situação como insustentável, sem condições de permanecer nos lugares de origem.
Alberto, cujo nome verdadeiro não será divulgado, viaja com a esposa e o filho de sete anos. Procuram assistência humanitária na Ouvidoria de Direitos Humanos de Cúcuta, buscando amparo para a família diante da violência que se intensifica no Catatumbo.
A ofensiva ocorre em meio a uma tensão regional alimentada por ligações entre ELN e setores da Guarda Nacional da Venezuela. Analistas apontam que, mesmo com mudanças políticas, a rede de cooperação entre grupos armados permanece estável e pode influenciar a violência na região.
Além do deslocamento, moradores relatam uso de drones por ambos os lados para atingir alvos militares e civis suspeitos de colaborar com adversários. A presença de esses aparelhos eleva o risco para quem trabalha nas lavouras de coca e nas áreas de cultivo.
Juliana, agricultora de 50 anos, relata que a proximidade de drones contribuiu para um episódio de saúde grave na família e obrigou a saída imediata de terras. Ela pediu para não ter o nome divulgado por motivos de segurança.
O considerável fluxo de pessoas deslocadas já impacta a rede de atendimento em Cúcuta, que opera com recursos limitados. A tensão na região aumenta desde o ataque norte-americano a Caracas, ocorrido no início de janeiro, que, segundo algumas leituras, pode influenciar o equilíbrio entre ELN e facções dissidentes.
Especialistas ouvidos pelo portal destacam que mudanças políticas na Venezuela não alteram, de imediato, a dinâmica criminosa na fronteira. O ELN mantém comunicação com autoridades venezuelanas e continua presente em várias regiões do país, segundo observatórios independentes.
Catatumbo abriga a maior área de plantio ilícito de coca do mundo, com cerca de 6 mil combatentes atuando em mais de 20% dos municípios colombianos. A região é apontada como hub de crime organizado ligado ao tráfico de drogas e a atividades de mineração ilegal.
O governo colombiano sinaliza avanços nas negociações com o maior grupo dissidente, incluindo um possível acordo de zonas de concentração em Catatumbo. No entanto, analistas alertam que o confronto por território pode se intensificar, elevando o risco para civis.
Seções de ajuda humanitária e instituições locais seguem avaliando a situação, enquanto a comunidade internacional monitora possíveis impactos na segurança regional e nas políticas de fronteira. A experiência de deslocados na região reforça a necessidade de proteção e assistência contínua.
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