- As mulheres são as mais impactadas pela crise humanitária no Sudão, com a maioria das chefes de família sem comida suficiente.
- Segundo a ONU, famílias chefiadas por mulheres estão três vezes mais vulneráveis à insegurança alimentar, e três quartos dessas casas reclamam não ter o suficiente para comer.
- A fome passa a ter maior direcionamento de gênero, agravada pelo conflito que já completa mil dias.
- Al-Fashir e Kadugli enfrentam fome, e mais de cem mil pessoas já fugiram de Al-Fashir desde a tomada pela Força de Apoio Rápido (RSF).
- Organizações da ONU, incluindo OCHA, pedem ação internacional imediata e buscam acordo com os Estados Unidos para receber parte dos dois bilhões de dólares em ajuda; mais de vinte e um milhões estão com insegurança alimentar aguda e 34 milhões precisam de apoio humanitário.
O Organismo das Nações Unidas advertiu que as mulheres carregam o peso da crise humanitária no Sudão, com a maioria das chefias de família femininas sem alimento suficiente. A informação foi divulgada na sexta-feira, em Genebra.
Segundo Jens Laerke, porta-voz da OCHA, as famílias chefiadas por mulheres agora enfrentam insegurança alimentar em três vezes maior escala, e, em média, 75% relatam a falta de comida. A situação ocorre em meio ao conflito que já dura quase 1.000 dias.
A ONU ressalta que a insegurança alimentar está se tornando mais marcada em gênero, refletindo desigualdades existentes antes do conflito. Além disso, a ONU Mulheres já havia alertado para riscos de violência sexual quando há busca por comida.
A crise afeta especialmente Darfur, onde a cidade de al-Fashir foi tomada por forças paramilitares RSF no fim de outubro. Também há pressão sobre Kadugli, outra cidade sitiada no sul do Sudão, ambas sob risco de fome.
Estima-se que mais de 100 mil pessoas fugiram de al-Fashir desde a tomada da cidade pela RSF, após um cerco de 18 meses. Organizações humanitárias pedem ação internacional imediata para as duas cidades sitiadas.
OCHA informou que busca tornar o Sudão o primeiro país a assinar acordo com os Estados Unidos para receber parte dos 2 bilhões de dólares em ajuda humanitária anunciados no fim de dezembro. O total de pessoas em fome aguda no país supera 21 milhões; 34 milhões precisam de apoio, com metade dessa cifra formada por crianças.
As agências da ONU destacam a necessidade de assistência rápida em al-Fashir e em Kadugli, onde a ajuda humanitária enfrenta dificuldades de acesso. Não há, no momento, atualização sobre visitas futuras à al-Fashir após a entrada de equipes internacionais em dezembro.
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