- Petro temia ser capturado por forças adversas, semelhante a Maduro, e disse que a ligação com Trump “congelou” a ameaça.
- Em entrevista à El País, o presidente colombiano revelou que Trump afirmou ter considerado fazer coisas ruins na Colômbia, incluindo uma operação militar.
- A conversa de uma hora entre os dois terminou de forma amigável, com Petro dizendo que as tensões diminuíram, embora não haja confirmação de ação específica.
- A gestão enfrenta casos de corrupção envolvendo ex-ministros e decretou emergência econômica para cobrir um déficit de 16,3 trilhões de pesos no orçamento de 2026.
- Petro mantém diplomacia ativa com a Venezuela, Delcy Rodríguez e outros países, defendendo diálogo e a ideia de eleições livres e, no Chile, um governo compartilhado como possível saída política.
O presidente colombiano Gustavo Petro revelou em entrevista exclusiva com EL PAÍS que temeu ser capturado de forma semelhante ao que ocorreu com Nicolás Maduro. Segundo Petro, rumores de ações militares contra ele surgiram após uma conversa telefônica com Donald Trump, na qual o ex-presidente americano mencionou a possibilidade de operações contra o governo colombiano. A ligação durou cerca de uma hora, na quarta-feira, e, ao terminar, ambos se mostraram em tom cordial.
Petro descreveu que, diante do cenário, tentou se manter ligado ao povo e às instituições, enquanto o país enfrentava tensões internas. O mandamento de segurança não incluía defesas antiaéreas, pois, segundo ele, o foco era o combate interno à violência e a preservação de caminhos para a transição política na região. Ele afirmou que a ameaça seria monitorada pela defesa popular, já que a atuação militar direta não fazia parte da estratégia governamental.
O presidente afirmou que a conversa com Trump teve o objetivo de expor posições, e que o americano baseou-se em informações da oposição. A entrevista também abordou a possibilidade de mediação com a Venezuela e a necessidade de eleições livres, com participação de diferentes forças políticas. Petro afirmou ainda ter tentado facilitar acordos que garantissem condições de voto justas.
Entre os temas abordados, Petro mencionou contatos com Delcy Rodríguez, atual presidenta interina da Venezuela, e relatou o interesse de fortalecer a unidade regional para evitar divisões que possam levar a novas violências. O presidente destacou que a cooperação internacional deve favorecer o diálogo na Venezuela, com participação de Estados Unidos e outros países da região.
Sobre a segurança interna, Petro ressaltou que não reconhece processos que envolvam negociações com grupos criminosos sob status político, afirmando que tais negociações costumam ocorrer entre Estados Unidos e outras nações em situações semelhantes. Ele citou a necessidade de responsabilizar fiscalias para conduzir eventuais acordos, evitando interferências externas.
Desempenho político e cenário institucional
O chefe de Estado comentou que a agenda de combate ao narcotráfico permanece alinhada com a visão defendida por seu governo, apesar de divergências com a política externa norte-americana. Ele reconheceu que a conjuntura internacional o coloca mais próximo de um campo de atuação externo, enquanto enfrenta casos de corrupção envolvendo ex-ministros e violência no país.
Em relação ao futuro político, Petro disse que não pretende atuar ativamente na arena eleitoral, mencionando que o foco é leitura e escrita de livros, sem entrar em manobras partidárias. Sobre a transição para o fim do mandato, o presidente afirmou que tem percebido apoio popular nas praças públicas, indicando força de mobilização mesmo com os desafios domésticos.
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