- Estados-membros da União Europeia apoiaram o acordo comercial mais amplo já feito pela UE com o Mercosul, encerrando 25 anos de negociações.
- O acordo provocou protestos de agricultores em Paris, Bruxelas e Varsóvia e gerou críticas de movimentos ambientais.
- França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria votaram contra; Bélgica absteve-se; Itália apoiou o acordo.
- O Parlamento Europeu precisa aprovar a assinatura para o acordo entrar em vigor; a Comissão Europeia segue envolvida, e a presidente Ursula von der Leyen deve ir ao Paraguai para formalizar.
- Defensores dizem que o acordo amplia a cooperação econômica UE-Mercosul e reduz dependência da China; críticos alertam para desmatamento e impactos à agricultura e direitos humanos.
Os estados-membros da União Europeia deram seu aval ao maior acordo de livre comércio já firmado com um grupo de países da América Latina, encerrando 25 anos de negociações. O entendimento com Mercosul envolve Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai e pode entrar em vigor após aprovação do Parlamento europeu.
Imediatamente após o anúncio, houve protestos de agricultores em Paris, Bruxelas e Varsóvia, com bloqueios de vias estratégicas. Grupos de produtores de carne, aves e grãos participaram das ações como resposta ao acordo.
Votos e cenário político dominaram o desfecho. França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria votaram contra; Bélgica se absteve. Itália, por sua vez, aprovou o acordo, permitindo que avance sob regras de voto de maioria qualificada, mesmo com resistência de parte da oposição.
Questionamentos sobre a efetividade do acordo também chegaram de instituições europeias e governos nacionais. O parlamento europeu precisa aprovar a iniciativa para que o pacto tenha validade, enquanto a Comissão Europeia deverá formalizar a assinatura.
Apoio ao tratado sustenta que o acordo reforça a cooperação econômica entre a UE e o sul do mundo, com foco em abastecimento de minérios críticos para setores automotivo e tecnológico. Dados indicam que Mercosul detém grandes reservas de grafite, níquel, manganês e terras raras, além de niobio, importante para a indústria aeroespacial.
Analistas destacam que a negociação também sinaliza uma diversificação de mercados europeus, reduzindo dependência de fornecedores dos Estados Unidos. Membros do governo italiano ressaltaram a relevância política da assinatura, em meio a tensões com a China na arena global.
Críticos apontam riscos para produtores europeus, especialmente setores de carne e grãos, que podem enfrentar maior concorrência. A Climate Action Network alerta para efeitos sobre desmatamento e condições de direitos humanos em ecossistemas sensíveis caso haja maior produção de soja, carne e madeira nos países do Mercosul.
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