- Protests no Irã ganham escala, com milhares nas ruas de cidades como Teerã, incluindo famílias e idosos, entoando “morte ao ditador”.
- Na quinta-feira, o governo cortou a internet e o acesso a chamadas internacionais, sinalizando endurecimento da resposta aos protestos.
- Forças de segurança atiraram contra manifestantes desarmados em várias ocasiões; há relatos de hospitais invadidos e mortes.
- O movimento começou com comerciantes protestando contra a desvalorização da moeda em vinte e oito de dezembro e se espalhou pelo país.
- Autoridades acusam estrangeiros de por trás dos protestos; o príncipe Reza Pahlavi pediu protestos unificados, com apoio internacional e possível intervenção dos Estados Unidos sendo discutida.
O que aconteceu hoje em Teerã e em outras cidades continua a atrair atenção internacional: centenas de milhares de iranianos saíram às ruas em protestos que começaram como reação a a desvalorização da moeda e se espalharam pelo país, enfrentando violência rápida por parte das forças de segurança. A repressão, com uso de armas letais, intensificou-se conforme o governo passou a acusar estrangeiros de incentivo.
O movimento ganhou corpo com participação de famílias, idosos e jovens, que descreveram ações de pirotecnia, barricadas e marchas noturnas. Em vídeos enviados por moradores, dominava a sensação de normalidade precária antes de confrontos com forças de segurança, que chegaram a atirar a curta distância contra manifestantes desarmados.
A cada noite, multidões desafiam a repressão em cidades como Teerã, Mashhad, Kermanshah e outras. Os protestos passaram a exibir chants contra o líder supremo e pedidos pela abertura política, ampliando-se além das preocupações econômicas iniciais.
Repressão, internet e números de vítimas
Na última semana, o regime cortou internet e serviços de chamadas internacionais, dificultando a verificação de informações. Autoridades passaram a falar em medidas contra opositores, enquanto organizações de direitos humanos contabilizam mortes e prisões em grande escala.
Segundo grupos como Human Rights Activists News Agency, pelo menos 538 pessoas teriam sido mortas até o momento, com mais de 10 mil detidas. Organizações como Amnesty International e Human Rights Watch apontaram dezenas de mortes por tiros e ferimentos graves entre 31 de dezembro e 3 de janeiro.
Pelo menos parte da crítica internacional questiona a metodologia estatal de contabilizar vítimas e denúncias de abusos. Em resposta, autoridades negaram violência indiscriminada e destacaram ações de segurança para conter a violência. O governo pediu investigações sobre incidentes específicos, incluindo possíveis agressões a profissionais de saúde.
No entanto, relatos diretos de manifestantes descrevem prisões em massa, uso de força desproporcional e ataques a unidades médicas. Declarações oficiais atribuíram as mortes a confrontos entre forças de segurança e insurgentes, enquanto a população descreve uma escalada de violência contra civis desarmados.
A comunidade internacional acompanha com cautela, diante da possibilidade de disseminação de protestos para além do território iraniano. Líderes estrangeiros discutem respostas diplomáticas e possíveis ações para evitar uma escalada regional.
A crescente pressão interna alimenta rumores sobre mudanças de estratégia entre governantes. Observadores externos destacam que a continuidade das manifestações depende da capacidade de manter mobilização sem retorno ao confronto direto.
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