- A autoridade eleitoral de Honduras considerou ilegal a recontagem de votos ordenada pelo governo em fim de mandato, ligada à eleição que apontou Nasry Asfura como vencedor, apoiado por Donald Trump.
- A presidenta Xiomara Castro classificou os resultados como “viciados em nulidade” por interferência dos Estados Unidos, que teriam ameaçado cortar ajuda caso Asfura vencesse.
- Asfura foi proclamado vencedor com menos de um ponto de vantagem sobre Salvador Nasralla, em apuração contestada por fraude após mais de três semanas.
- Castro promulgou decisão do Congresso para a recontagem, mas a presidenta do Conselho Nacional Eleitoral afirmou que as diretrizes são inconstitucionais e não vinculantes.
- As forças armadas apoiam a declaração do CNE e garantem a custódia do material eleitoral; jurista considera o decreto ilegal e diz que poderia ser revogado pelo novo Congresso.
A autoridade eleitoral de Honduras declarou ilegal a ordem de recontagem de votos que ocorreu perto do fim do mandato do governo, relacionada às eleições presidenciais vencidas por Nasry Asfura, que tem apoio de Donald Trump. A decisão foi anunciada na segunda-feira, dia 12.
A presidenta Xiomara Castro classificou os resultados como viciados em nulidade, citando suposta interferência externa, incluindo a participação do governo norte-americano. O decreto de recontagem foi aprovado pela Câmara e divulgado em sessão da qual a oposição não participou.
O vencedor, Nasry Asfura, permanecerá em posição até a posse prevista para 27 de janeiro. Ele esteve em Washington para encontros com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, após avisos de que qualquer tentativa de reverter o resultado teria consequências.
A presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Ana Paola Hall, disse que as diretrizes anunciadas são inconstitucionais e ilegais, sinalizando que não há obrigação de acatá-las. Segundo ela, o ato não possui efeito vinculante.
A Polícia e as Forças Armadas mantêm respaldo à decisão do CNE e garantem a custódia do material eleitoral. O líder das Forças Armadas, Héctor Valerio, afirmou o apoio à vitória anunciada para Asfura.
Analistas consultados ressaltam que a recontagem decretada envolve questões constitucionais e legais, com especialistas apontando riscos de desordem se houver tentativa de implementação. Para o jurista Oliver Erazo, a medida é ilegal por violar a autonomia eleitoral.
Controvérsia sobre legalidade da recontagem
O debate gira em torno da independência das autoridades eleitorais e do potencial uso de meios institucionais para modificar resultados já proclamados. A possibilidade de revogação do decreto depende de ações do novo Congresso ou de medidas administrativas.
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