- Governo brasileiro silenciou sobre a repressão no Irã, enquanto celebrou a vitória do filme O Agente Secreto em duas categorias do Globo de Ouro, com nota emitida nas primeiras horas de segunda-feira (12).
- Irã vive uma crise desde o fim de 2025, com protestos contra o regime, cortes de internet e mais de 600 mortos, segundo entidades de direitos humanos.
- O Ministério das Relações Exteriores não se pronunciou sobre o Irã até a tarde desta segunda; a Gazeta do Povo questionou o Itamaraty.
- A diplomacia do governo Lula é marcada por evitar condenações diretas ao Irã; o vice-presidente Geraldo Alckmin já representou o Brasil na posse do presidente iraniano em 2024.
- A nota do MRE parabeniza o filme e ressalta o apoio à internacionalização do audiovisual brasileiro, mencionando o papel dos postos brasileiros no exterior.
O governo brasileiro optou pelo silêncio sobre a repressão no Irã, ao mesmo tempo em que celebrou a vitória do filme O Agente Secreto em duas categorias do Globo de Ouro. A nota sobre a premiação foi divulgada nas primeiras horas desta segunda-feira, 12.
Segundo apuração, o Irã vive uma crise desde o final de 2025, com protestos contra o regime do aiatolá e forte repressão. Relatos apontam cortes de acesso à internet e o recebimento de dezenas de mortes em confrontos com a polícia.
No Brasil, até a tarde desta segunda, o Ministério das Relações Exteriores não havia se manifestado sobre a situação iraniana. A Gazeta do Povo informou ter buscado contato com o governo para comentar o tema.
As relações entre Brasil e Irã sob o governo Lula costumam adotar uma diplomacia sem condenação direta ao regime. Em 2024, o vice-presidente Geraldo Alckmin participou de solenidade de posse de um líder iraniano no país.
Em fóruns internacionais, o Planalto evitou críticas públicas a ações do Irã, mesmo em ocasiões em que outros países adotaram tom mais firme. O Brasil também se absteve em votações da ONU sobre violações de direitos humanos, incluindo medidas contra repressões.
A atuação diplomática brasileira foi reforçada quando autoridades iranianas agradeceram apoio contra Israel e os EUA em 2025, fortalecendo a percepção de aproximação mesmo em cenário de isolamento do Irã.
Contexto das manifestações no Irã
As contestações no Irã tiveram início em 28 de dezembro de 2025, impulsionadas pela inflação, desvalorização do rial e aumento de preços de alimentos e combustíveis. Jovens lideraram as mobilizações, que evoluíram para cobranças por liberdades civis e mudanças políticas.
Entre na conversa da comunidade