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Irã afirma estar preparado para guerra e negociações após ameaças de Trump

Irã afirma estar preparado para guerra e negociações diante de ameaças de intervenção de Trump, enquanto protestos ganham impulso

Forças de segurança atuam durante protesto de cidadãos iranianos em Londres – foto: Carlos Jasso/AFP
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  • O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o Irã está preparado para guerra e para negociações, em resposta às ameaças de intervenção militar de Donald Trump.
  • Trump afirmou que poderia se reunir e afirmou que opções fortes, incluindo ações militares, poderiam ser usadas diante da repressão no país.
  • Um canal de comunicação entre Irã e Estados Unidos está aberto via a embaixada da Suíça, já que não há relações diplomáticas diretas entre os dois países.
  • O guia supremo iraniano, Ali Khamenei, desafiou Trump em publicação feita em persa.
  • As manifestações no Irã desde dezembro deixaram cerca de 580 mortos e mais de 10 mil prisões; a internet foi restabelecida gradualmente e houve protestos pró-governo em várias cidades.

O chanceler Abbas Araghchi afirmou nesta segunda-feira 12 que o Irã está preparado tanto para guerra quanto para negociações, em resposta às ameaças de intervenção militar feitas no dia anterior pelo presidente dos EUA, Donald Trump. A declaração ocorreu durante uma conferência com embaixadores estrangeiros em Teerã, transmitida pela TV estatal.

Segundo Esmail Baghai, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, há um canal de comunicação aberto entre Teerã e o emissário americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff, apesar da ruptura das relações em 1980. As mensagens devem ocorrer sempre que necessário, destacou o porta-voz.

Trump afirmou a jornalistas a bordo do Air Force One que o Irã já estaria pronto para negociar, mas sinalizou possibilidade de ações antes de qualquer reunião, se a situação assim exigir. O líder norte-americano também mencionou a organização de uma reunião com conselheiros para discutir opções.

No fim de semana, Trump havia reagido às repressões contra protestos no Irã, dizendo que poderia recorrer a opções fortes, incluindo intervenção militar. Vários veículos apontam que ações podem envolver ataques, uso de armas cibernéticas e sanções ampliadas.

O Irã respondeu, com o presidente do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf afirmando que quaisquer ataques dos EUA seriam enfrentados com represálias contra bases militares e rotas marítimas dos EUA.

China rejeitou a interferência externa. A porta-voz Mao Ning pediu que o governo e o povo iranianos superem as dificuldades e mantenham a estabilidade, defendendo maior cooperação para a paz no Oriente Médio.

As manifestações no Irã, iniciadas no fim de dezembro, atingiram cidades do interior e do norte do país. O chanceler Araghchi afirmou que a internet, cortada desde quinta-feira, deve ser restabelecida com apoio das forças de segurança.

O governo iraniano decretou três dias de luto nacional e convocou atos de apoio à República Islâmica. A produção de imagens mostrou funerais de membros das forças de segurança e protestos pró-governo em cidades como Kerman, Zahedan e Birjand.

Segundo a ONG Hrana, o saldo de mortos no Irã está próximo de 580, com mais de 50 agentes de segurança entre as vítimas, e cerca de 10 mil prisões. Organizações de direitos humanos indicam hospitais sobrecarregados e escassez de sangue.

Manifestantes em Paris, Londres e Viena participaram de demonstrações de solidariedade ao Irã. Em Istambul, a polícia turca bloqueou acesso ao consulado iraniano, enquanto a economia iraniana enfrenta fragilidades decorrentes de conflitos regionais e sanções internacionais.

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