- O papa Leão XIV recebeu, de surpresa, Maria Corina Machado no Vaticano, reforçando seu papel de mediador na Venezuela.
- Machado disse ter pedido ao Pontífice que interceda pela libertação de mais de mil presos políticos e pela aceleração da transição democrática no país.
- O Vaticano tem atuado como intermediário na crise venezuelana, mantendo diplomacia com Washington e com setores da oposição.
- The Washington Post revelou que, semanas antes, o cardeal Parolín tentou convencer a Casa Branca a facilitar a saída de Nicolás Maduro para exílio na Rússia, sem confirmação formal do Vaticano.
- Machado segue para os Estados Unidos, onde vai se encontrar com o ex-presidente Donald Trump, em meio a momentos de maior tensão política na Venezuela.
O Papa recebeu nesta segunda-feira no Vaticano a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, em uma audiência privada não prevista na agenda oficial. O encontro ocorreu antes da viagem de Machado aos Estados Unidos para reunião com Donald Trump e traça o Vaticano como mediador na crise venezuelana.
Segundo a Santa Sé, a audiência foi conduzida pelo pontífice Leão XIV e consolidou o papel do Vaticano como interlocutor diplomático no país caribenho. Machado afirmou ter pedido ao Papa que interceda pela libertação de presos políticos e pela aceleração de uma transição democrática.
Machado relatou ainda que transmitiu ao Papa a força do povo venezuelano, que permanece em oração pela liberdade. A líder opositora também destacou casos de pessoas detidas, desaparecidas e outras prisões políticas, reforçando a demanda por soluções pacíficas.
Em relação ao contexto, o Vaticano tem sido ativo nos efforts de mediação desde o início da crise política, com histórico de encontros com autoridades venezuelanas. O foco atual envolve pesquisas por vias diplomáticas para evitar violência e favorecer o retorno a um processo democrático.
Conforme revelado pelo The Washington Post, a Santa Sé teria buscado uma saída para Nicolás Maduro, incluindo a possibilidade de exílio na Rússia, sem que o Vaticano tenha confirmado oficialmente essa linha de ação. A notícia cita contatos entre o alto clero e a Casa Branca na época festiva de fim de ano.
Historicamente, o Vaticano manteve canais abertos com Caracas, mesmo diante de tensões com o governo chavista. Parolin, atual número dois da Santa Sé, já teve atuação na diplomacia venezuelana, incluindo passagem como núncio entre 2009 e 2013.
A reportagem do Washington Post também aponta que, dias após a suposta oferta de exílio, autoridades americanas e o Vaticano teriam mantido conversas para evitar desdobramentos violentos e buscar vias de cooperação humanitária. O episódio reitera a função de interlocutor internacional da Igreja.
A agenda recente aponta para a continuidade dessa atuação, com Machado viajando em breve aos EUA para encontros com outras lideranças. A posição do Vaticano permanece de promoção ao diálogo e à proteção dos direitos humanos como base para a estabilidade regional.
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