- Em 2025, o déficit comercial dos EUA com a União Europeia ficou próximo de US$ 190 bilhões nos primeiros três quartos, ante US$ 175 bilhões com a China, apontando para uma reversão na agenda de Trump.
- O presidente pode explorar três caminhos: desvalorizar o dólar, deslocar despesas de defesa para a Europa e fechar acordos com a Rússia.
- No encontro do G‑7 em Evian, Trump pode pressionar os maiores detentores de Treasuries — Reino Unido, França, Alemanha e Japão — a venderem seus títulos para forçar represálias, com possível follow-up no G‑20 sobre a China.
- A desvalorização do dólar prejudicaria exportadores europeus, que já veem maior dependência do dólar; a Europa tem grande parcela de exportações invoiced em dólares.
- A estratégia com a Rússia envolve minerais críticos e energia; Moscou abriu Sakhalin‑1 a empresas estrangeiras e pode conceder isenções de sanções a companhias dos EUA, com efeitos sobre competidores europeus.
Os números de comércio de 2025 indicam deficit de US$ 77 bilhões em bens nos 10 primeiros meses, apontando para uma tendência de aumento ao fim do ano. A leitura aponta que o desequilíbrio não recuou até outubro.
Pelo ritmo atual, o maior déficit do país no trimestre móvel até setembro foi com a União Europeia, em torno de US$ 190 bilhões, conforme dados do Census. A relação com a China mostra queda, mas o EU permanece estável frente ao ano anterior.
Frente a esse cenário, analistas veem três caminhos viáveis para o governo Trump: desvalorizar o dólar, repassar custos de defesa para a Europa e buscar acordos com a Rússia. Essas opções aparecem como cartas-dogo para 2026.
Possíveis medidas com o dólar
Especialistas apontam que um dólar mais fraco tornaria importações mais caras e exportações mais baratas, o que poderia reduzir o déficit. A ideia envolve pressionar detentores estrangeiros de Treasuries a venderem ativos.
Shutdown de financiamento europeu e Nato
A estratégia inclui solicitar que países europeus vendam seus papéis do Tesouro dos EUA, o que geraria tensão entre os aliados. O ganho para os EUA dependeria de receptividade de autoridades da UE, o que ainda não está claro.
Relações com Rússia e minerais estratégicos
O documento de segurança nacional sinaliza maior foco em cooperação com a Rússia em minerais críticos e energia. Negociações sobre fornecimento de paládio e titânio podem influenciar o desempenho de firmas europeias.
A manobra envolve, ainda, possíveis acordos que facilitem licenças para companhias americanas atuarem na Rússia, mantendo sanções europeias. A aposta é que tais medidas avancem de forma controlada, sem abrir brechas para ações adversárias da Europa.
Entre na conversa da comunidade