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388 milhões de cristãos enfrentam perseguição global

388 milhões de cristãos vivem sob perseguição extrema entre 1º outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025; Síria entra no grupo de alta violência, avançando para a sexta posição

Portas Abertas: 388 milhões de cristãos perseguidos no mundo
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  • A Portas Abertas divulgou a Lista Mundial da Perseguição 2026, cobrindo o período de 1º de outubro de 2024 a 30 de setembro de 2025, com mais de 388 milhões de cristãos sob perseguição extrema.
  • Doze países entraram no grupo de hostilidade extrema (agora são 15), com a Síria subindo da 18ª posição para a 6ª e Mali surgindo no 15º lugar; Nepal retorna ao ranking em 46º.
  • Na África Subsaariana, 14 países aparecem na lista, destacando Sudão, Nigéria e Mali com a maior pontuação; 3.490 das 4.849 mortes ocorreram na Nigéria, ou seja, 72% do total mundial.
  • O total de cristãos mortos por fé subiu de 4.476 para 4.849; casos de violência física ou psicológica aumentaram de 54.780 para 67.843; 201.427 cristãos foram forçados a fugir ou se esconder dentro do país.
  • Destaques positivos: Bangladesh registrou queda de violência de 20%, após a saída da primeira-ministra; na Malásia, reabertura de investigação sobre o desaparecimento do pastor Raymond Koh gerou indenização de US$ 7,4 milhões; na América Latina houve maior monitoramento em México, Nicarágua, Colômbia e Cuba.

A Portas Abertas divulgou a Lista Mundial da Perseguição 2026 na terça-feira, 13 de janeiro. O relatório aponta crescimento da perseguição extrema a cristãos em várias regiões, com mais de 388 milhões de fiéis afetados entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025. A divulgação ocorreu em meio a mudanças políticas e conflitos que ampliaram a vulnerabilidade de comunidades cristãs.

A organização informou que 15 países passaram a integrar o grupo de hostilidade extrema, duas nação a mais que na edição anterior. Síria e Mali ingressaram na lista; a Síria saltou da 18ª posição para a 6ª, e o Mali ocupa agora a 15ª posição.

O Nepal retornou ao ranking, ocupando a 46ª posição, após não constar no mapa desde 2022. A entidade destacou aumento de violência no país, com mais cristãos presos, relatos de abusos físicos e psicológicos e ataques a igrejas.

Entre os 50 países da lista, 34 registraram aumento da perseguição. A Síria teve o maior salto, com a intensificação de ataques a igrejas, fechamento de escolas cristãs e mortes de fiéis. A queda do governo de Bashar al‑Assad, em dezembro de 2024, é citada como fator que ampliou a atuação de milícias locais e grupos armados, aumentando a vulnerabilidade.

O secretário-geral da Portas Abertas Brasil, Marco Cruz, destacou que um ataque em Damasco, em junho, deixou 22 cristãos mortos e elevou a sensação de insegurança entre a comunidade. O estudo cita ainda deslocamentos forçados de fiéis na capital síria.

Matthew Barnes, pesquisador sênior da organização no Oriente Médio, disse que havia expectativa de alívio após a mudança política, mas o cenário deteriorou com novos ataques. Segundo ele, houve atentado suicida, profanação de igrejas e migração de cristãos para evitar riscos.

A Portas Abertas estima que restam cerca de 300 mil cristãos na Síria, comparando com 1,1 milhão em 2015. A organização aponta dificuldades para obter números precisos na região e observa migração significativa para Iraque e Territórios Palestinos.

Na África Subsaariana, 14 países aparecem na lista, com Sudão, Nigéria e Mali recebendo a pontuação máxima de violência. A organização aponta que, há dez anos, o conjunto de violência regional representava 49% do máximo possível; em 2026, esse total chegou a 88%.

A Nigéria liderou as mortes registradas no período, respondendo por 3.490 das 4.849 fatalidades globais. A Portas Abertas mencionou ainda ataques contra comunidades e o sequestro de 303 crianças em idade escolar, ressaltando a repercussão internacional e ações de governos estrangeiros.

Entre os números globais, a lista apontou aumento no total de cristãos mortos por fé, de 4.476 para 4.849. Casos de violência física ou psicológica contra fiéis passaram de 54.780 para 67.843, com crescimento de assédio sexual e de casamentos forçados.

Em relação à mobilidade, 201.427 cristãos foram forçados a fugir ou se esconder dentro do próprio país, enquanto 22.702 deixaram o território. Ataques a igrejas e propriedades caíram de 7.679 para 3.632 durante o período.

Entre os aspectos positivos, a organização aponta queda de violência em Bangladesh para 33 pontos, após a saída da primeira-ministra Sheikh Hasina em 2024. A Portas Abertas cita declarações de liberdades religiosas do líder interino Muhammad Yunus e aponta que eleições futuras poderão testar esse compromisso.

Na Malásia, a reabertura de investigação sobre o desaparecimento do pastor Raymond Koh, em 2017, foi destacada. A decisão judicial apontou responsabilidade de agentes estatais e houve indenização de cerca de US$ 7,4 milhões, considerado um caso de responsabilização do Estado.

Na América Latina, o relatório indica maior reconhecimento dos riscos para líderes cristãos no México e na Colômbia, em áreas marcadas pelo crime organizado. Também há monitoramento internacional mais intenso em Nicarágua e Cuba, que subiu do 26º para o 24º lugar no ranking.

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