- Na última semana, o Irã iniciou um blackout quase total de internet em resposta a protestos; o tráfego caiu 90 por cento em cerca de meia hora.
- Nos dias seguintes, a conectividade permaneceu próxima de zero, segundo o banco de dados da Georgia Institute of Technology.
- Pela primeira vez, o governo bloqueou o acesso ao Starlink, provedor de internet por satélite.
- O número de mortos aumentou para centenas ou milhares desde os protestos que começaram em dez de dezembro de 2025.
- Até agora, o Irã acumula quase 893 horas de desligamentos nacionais desde 2019, com 17 interrupções nacionais e regionais, figurar entre os países com maior tempo total de bans de internet.
O Irã iniciou, na última quinta-feira, um quase total bloqueio de internet em resposta aos protestos anti governo que começaram em dezembro e se espalharam pelo país, representando a maior ameaça ao regime em anos. Em cerca de 30 minutos após a adoção da medida, o tráfego online caiu cerca de 90%. Nos dias seguintes, a conectividade permaneceu quase zero, segundo o banco de dados Internet Outage Detection and Analysis da Georgia Tech.
Em comparação com bloqueios anteriores, este é mais intenso. Pela primeira vez, o governo bloqueou o acesso à Starlink, fornecedora de internet via satélite de Elon Musk, que ajudou a manter civis conectados durante o movimento de 2022. A medida reforça o controle estatal sobre as comunicações durante as ações de oposição.
Os impactos vão além da simples queda de serviço. Autoridades públicas continuam on-line em plataformas oficiais, incluindo o líder supremo Ayatollah Ali Khamenei, cuja conta permanece ativa, mas protestos e cidadãos ficam sem conseguir compartilhar informações ou documentar abusos para o exterior. O saldo de mortes, segundo diversos relatos, é apontado em centenas ou milhares desde o início das manifestações em 28 de dezembro de 2025.
Histórico de quedas de internet no Irã
Com o bloqueio atual, o Irã já teve quatro interrupções nacionais desde 2019, quando houve um apagão de oito dias ligado a protestos por preços do petróleo. Em 2022, houve mais de 12 dias de queda, na esteira dos protestos pela morte de Mahsa Amini, com a proibição de plataformas como WhatsApp, Instagram, X, YouTube e Facebook até hoje.
Recentemente, o Irã interrompeu serviços de internet em junho de 2025 durante um conflito de 12 dias com Israel. Ao todo, o país acumula mais de 892 horas de interrupções nacionais desde 2019. Esses números colocam o Irã entre os que acumulam mais tempo de bloqueio desde 2018, segundo dados da Internet Society.
Em alguns casos, as interrupções são regionais e temporárias. Em novembro de 2023, por exemplo, o governo cortou o acesso à internet na província de Kurdistão por duas horas, para tentar conter possíveis protestos. Diferentes países ocupam posições distintas nesses rankings, refletindo fatores como duração e alcance.
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