- O presidente dos EUA, Donald Trump, passou a buscar cortar o petróleo venezuelano que abastece Cuba.
- A Venezuela não envia crude ou combustível para Cuba há cerca de um mês, segundo dados de navios e documentos da PDVSA.
- O último carregamento para refino em Cuba partiu de Porto José, em meados de dezembro, com aproximadamente 600.000 barris.
- Em 2025, a Venezuela foi a maior fornecedora de Cuba, com 26.500 barris por dia, seguida pelo México.
- O governo cubano afirma que manterá posição firme diante das pressões dos EUA, enquanto a população enfrenta incertezas e dificuldades de energia e abastecimento.
Saudi
Havana/ Houston, jan 13 — Cubanos vivem apreensivos após a promessa do presidente dos EUA, Donald Trump, de cortar o fornecedor de petróleo venezuelano que abastece a ilha. A medida pode agravar a já grave situação de racionamento de energia, alimentos e medicamentos.
A Venezuela, que já foi principal fornecedora de petróleo de Cuba, deixou de enviar crude ou combustível há cerca de um mês, segundo dados de navegação e documentos da estatal PDVSA. As cargas deixaram de chegar mesmo antes da captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, no início de janeiro.
O último carregamento para refino na ilha partiu do porto Jose, da PDVSA, em meados de dezembro e seguia com o transponder desativado. Transportava aproximadamente 600 mil barris de crude venezuelano.
Em 2025, a Venezuela respondeu por cerca de 26,5 mil bpd, aproximadamente um terço da demanda diária de Cuba, ficando atrás apenas do México, com em torno de 5 mil bpd, indicam dados oficiais.
A situação é descrita como crítica por especialistas. O pesquisador em energia, Jorge Pinón, da University of Texas at Austin, afirma que não se vislumbra alívio nos próximos meses com zero importação venezuelana.
Trump tem reiterado que a intervenção recente na Venezuela pode empurrar Cuba para definição de defesa, mantendo, segundo ele, a pressão sobre o governo cubano. O tema ganhou espaço após o apelo do governo americano para fechar acordos rapidamente.
A dúvida central na ilha é quanto o governo de Miguel Díaz-Canel poderá resistir a cortes significativos de importação de petróleo, diante de dificuldades para suprir alimentos, remédios e combustíveis.
O presidente cubano ressaltou que o governo não se deixará intimidar por pressões externas, afirmando que a nação está preparada para defender o país. Em áreas rurais, a vida continua com recursos limitados de energia e transporte.
Vários cubanos relatam impactos ainda contidos em Havana, apesar de quedas de energia mais severas no interior. A cidade tem registrado déficits de geração, mas o abastecimento de gasolina e diesel permanece com controle de estoque.
Para alguns residentes, a incerteza é o principal desafio. Moradores relatam redução de demanda elétrica desde dezembro, o que ajudou a atenuar a frequência de apagões até o momento.
Cenário externo e ajuda restrita
Não há informações públicas sobre reservas de óleo de Cuba ou se aliados políticos aceitariam enfrentar a reação de Washington. Especialistas apontam que o apoio internacional, além do México em parcela limitada, não parece suficiente.
Um carregamento vindo do México chegou a Havana na sexta-feira, cerca de 85 mil barris de combustível da Pemex, mas isso não cobre a queda histórica de fornecimento venezuelano.
Ivet Rodriguez, empresária de 39 anos de Havana, comenta que a incerteza é angustiante e que muitos evitam pensar no que pode ocorrer com o serviço público e o custo de vida diante da escassez de energia.
Este texto foi preparado com informações apuradas por repórteres em Havana e Houston, com revisão editorial de profissionais da Reuters.
Entre na conversa da comunidade