- Navio-hospital chinês Silk Road Ark está atracado no Rio de Janeiro até 15 de janeiro, em agenda de intercâmbio institucional e atividades diplomáticas.
- O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) pediu esclarecimentos sobre a possibilidade de atendimento médico à população e adotou prazo de 72 horas para resposta da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ).
- A SES-RJ afirmou que não há atendimento médico no navio e que a visita é de caráter diplomático, sem previsão de serviços assistenciais no Rio neste momento.
- O CREMERJ também encaminhará ofício à Marinha do Brasil para confirmar autorização e fiscalização de embarcações estrangeiras, já que cabem à Marinha as competências de autorização e vigilância.
- A presença do navio ocorre no âmbito da Missão Harmony 2025, com foco em intercâmbio técnico e científico, sem confirmação de serviços médicos prestados à população brasileira até o momento.
O navio-hospital chinês Silk Road Ark atracou no Rio de Janeiro e gerou dúvidas sobre a possibilidade de oferecer atendimentos médicos à população. O CREMERJ abriu apuração e enviou um ofício à Secretaria de Estado de Saúde pedindo esclarecimentos. A embarcação fica no BR até quinta-feira (15).
A Embaixada da China informou que o navio realiza intercâmbio de conhecimentos, treinamentos e atividades culturais. O CREMERJ questiona se há atendimento, qual é o público-alvo, se há autorização brasileira e se os profissionais estão habilitados para atuar no Brasil.
A SES-RJ afirmou que não há atendimento médico no navio e que a visita é de caráter diplomático. A secretaria disse não saber se já houve recebimento formal do ofício pelo governo estadual.
O CREMERJ pretende encaminhar novo ofício à Marinha do Brasil, responsável pela autorização de estrangeiros em águas brasileiras. A Marinha ainda não retornou aos contatos da reportagem.
Raphael Câmara, conselheiro do CREMERJ, disse que ainda não houve confirmação de atendimentos. Segundo ele, a presença do navio parece restrita a atividades institucionais com a Marinha, médicos brasileiros e a SES-RJ.
A reportagem mostrou que o governo fluminense recebeu a delegação chinesa na última sexta, em audiência na sede do Executivo. O encontro integrou a 11ª Missão Harmony, voltada a cooperação em saúde, sem indicar atendimentos no Rio.
Segundo a Embaixada da China, a Missão Harmony 2025 parte de Quanzhou e envolve a visita a cerca de dez países. O Brasil aparece como o primeiro destino na América do Sul.
O Silk Road Ark não é apenas um navio-hospital. A iniciativa está associada à Belt and Road Initiative, em torno de cooperação e influência diplomática. O Brasil não aderiu formalmente ao projeto, mantendo acordos pontuais.
A prefeitura do Rio e o governo estadual destacam o caráter educativo e científico da visita, com foco em intercâmbio profissional. A vigilância sobre possíveis serviços médicos permanece sob avaliação das autoridades competentes.
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