- Unicef diz que pelo menos 100 crianças morreram em Gaza desde o cessar-fogo em outubro, cerca de uma criança por dia; são 60 meninos e 40 meninas.
- As mortes ocorreram por ataques aéreos, drones (incluindo drones kamikazes), tiros de tanques e balas reais, e o número real pode ser ainda maior.
- O Ministério da Saúde de Gaza aponta 165 crianças mortas desde o cessar-fogo, total de 442 óbitos, com sete crianças morrendo de hipotermia neste ano.
- O Unicef destaca os traumas psicológicos entre as crianças e diz que a vida na região permanece sufocante e precária.
- Em 1º de janeiro, Israel suspendeu o acesso à faixa de Gaza para 37 ONGs estrangeiras, o que, segundo o Unicef, impede ajuda humanitária vital.
Pelo menos 100 crianças foram mortas na Faixa de Gaza desde a entrada em vigor do cessar-fogo com Israel, em outubro, segundo dados do Unicef. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 13, por meio de videoconferência de Genebra direta de Gaza. O organismo destacou que as mortes ocorreram durante o intervalo de trégua vigente.
Conforme o Unicef, 60 meninos e 40 meninas não resistiram aos ataques durante esse período. As causas apontadas envolvem ataques aéreos, ataques de drones, inclusive drones kamikazes, tiros de tanques e balas reais. O porta-voz do Unicef, James Elder, informou que o número real pode ser ainda maior.
Números de vítimas e contexto
Dados do Ministério da Saúde de Gaza, que mantém os registros locais, indicam 165 crianças mortas desde o início do cessar-fogo, em contraste com 442 óbitos totais. O relatório também registra sete mortes infantis por hipotermia desde o começo do ano. O Exército de Israel não respondeu de imediato aos questionamentos da imprensa.
Elder ressaltou que as crianças vivem sob constante medo e enfrentam traumas psicológicos sem tratamento adequado, o que agrava a situação a longo prazo. O porta-voz apontou que o cessar-fogo, ainda que reduza bombardeios, continua enterrando crianças e não resolve a crise humanitária.
As autoridades de Gaza haviam informado, em novembro, que mais de 70 mil pessoas foram mortas desde o início do conflito iniciado em outubro de 2023. Segundo a ONU, cerca de 80% das estruturas da região foram destruídas ou danificadas pela guerra.
Além disso, Elder denunciou a decisão de Israel, em 1º de janeiro, de suspender o acesso de Gaza a 37 organizações humanitárias estrangeiras que se recusaram a fornecer às autoridades locais a lista de seus funcionários. A medida foi apresentada como bloqueio a ações de assistência.
O Unicef afirmou que, apesar de alcançar aumento na ajuda humanitária desde o cessar-fogo, é essencial contar com parcerias no terreno. A organização pediu a manutenção de acesso de ONGs, jornalistas e agências internacionais para monitorar o sofrimento infantil e distribuir apoio de forma contínua.
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