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Acordo de paz de Trump não tem efeito para os congoleses

Acordo entre Ruanda e Congo não retira o M23 do controle no leste; população encara estabilidade frágil e continuidade de violência

M23 soldiers are seen at the Stade de l'Unite' (Unity Stadium in French) in Goma on February 6, 2025.
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  • A milícia M23 controla Kirumba, na região de Kivu do Norte, desde 2024, com o prefeito Mour Mpizi nomeado pela milícia e promovendo reuniões semanais.
  • Moradores reclamam de alta de violência, bandidismo e roubos; Mpizi diz que os criminosos serão presos e punidos com chicotadas.
  • Mpizi afirma identidade congolesa e convoca moradores a se juntarem a M23 para “libertar” áreas sob o governo de Kinshasa, tentando manter apoio local.
  • O acordo de paz entre Ruanda e Congo, mediado pelos EUA, não parece surtir efeito em grande parte das áreas sob controle da M23, que continua no poder.
  • Mesmo com críticas, muitos preferem a presença de M23, que traz aparente estabilidade, menos corrupção e menos assédio da FARDC, apesar de violência e pobreza persistirem.

In Kirumba, cidade da província de North Kivu, na República Democrática do Congo, o prefeito Innocent Munyandekwe Mpizi abriu uma reunião comunitária em uma praça de uma igreja católica. Cerca de centenas de moradores participaram para ouvir propostas sobre a atuação da milícia M23.

Mpizi é o terceiro líder nomeado pela M23, grupo que assumiu o controle de vastas áreas do leste do país a partir do meio de 2024. O objetivo, segundo ele, é manter a ordem e apresentar ações de segurança para conter saques, furtos a residências e homicídios, comum em comunidades tomadas pela violência.

Durante o encontro, carros e militares com armas permaneceram próximos, prontos para intervir. Moradores relataram aumento do banditismo e pediram respostas. Mpizi afirmou que a M23 prenderia os criminosos, com punição física para os capturados.

Ele também fez um apelo de identidade nacional: somos Congolenses, afirmou, convidando moradores a se alistarem para fortalecer a área sob controle da M23. A mensagem buscou tranquilizar a população, diante de rumores de apoio do Ruanda ao grupo.

Essa percepção contrasta com o acordo de paz entre Ruanda e Congo, mediado pelos EUA, assinado no início de dezembro. O acordo previa o desarmamento da M23 e a retomada do controle pelo governo de Kinshasa. Trump saudou o tratado como um avanço para a região.

Apesar do acordo, a M23 avançou sobre Uvira, na fronteira com Burundi, mas recuou sob pressão internacional. A milícia afirmou que não se retiraria de áreas já consolidadas como governo, posição reiterada por Mpizi na comunidade.

O governo congolês mantém controle instável no leste do país há décadas. A violência tem raízes históricas desde o genocídio de Ruanda de 1994, que alimentou conflitos entre milícias locais e forças estrangeiras. A região registra altos índices de deslocamento e violações.

Na prática, muitos moradores tiveram melhoria em áreas como serviços comunitários e infraestrutura, com menor repressão da força militar nacional. A burocracia foi reduzida em alguns setores, e empregos formais sob o governo local passaram a ser menos onerosos para empreendedores.

Entretanto, o contexto continua de risco. Houve relatos de corrupção menor e de um comércio de minerais que envolve áreas sob controle da M23. Ainda assim, muitos habitantes em Kirumba preferem a continuidade de alguma forma de governança local estável, não a volatilidade de grupos armados.

Uma comerciante local afirmou que não quer que a M23 vá embora, pois estaria próximo da paz. Em contrapartida, há receio de que a retirada do grupo leve de volta a violência e o surgimento de novas milícias, ampliando a instabilidade na região.

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