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Acordo UE-Mercosul como proteção frente à Doutrina Monroe

EU aprova acordo com Mercosul, abrindo uma das maiores zonas de livre comércio e sinalizando autonomia econômica diante do protecionismo dos EUA

The president of Argentina, Paraguay, Brazil, and Uruguay stand holding hands in front of a waterfall.
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  • A União Europeia aprovou um acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, com mais de setecentos milhões de pessoas; a assinatura está prevista para 17 de janeiro no Paraguai.
  • O acordo tem importância geopolítica, funcionando como hedge diante de políticas dos Estados Unidos e fortalecendo a autonomia econômica e estratégica de Europa e América do Sul.
  • As negociações começaram em mil novecentos e noventa e nove, avançaram com a chegada de presidentes mais favoráveis ao livre comércio e chegaram a um acordo em princípio em mil novecentos e noventa e nove, mas só recentemente avançaram até a aprovação.
  • O pacto visa diversificar parcerias comerciais, ampliar ligações com a Europa e manter fluxo de matérias-primas estratégicas, como minerais críticos, além de fortalecer a coesão do Mercosul como bloco.
  • Ainda depende de aprovação final do Parlamento Europeu e dos Parlamentos dos Estados-membros do Mercosul; fortes lobbies agrícolas, principalmente na França, resistem, mas não devem impedir a ratificação.

O Conselho da União Europeia aprovou, na sexta-feira anterior, um acordo comercial com Mercosul, união aduaneira da América do Sul. O tratado criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de pessoas.

Após 25 anos de negociações intermitentes, a aprovação ocorre em meio a disputas comerciais e estratégicas. O acordo deverá ser assinado no Paraguai em 17 de janeiro, marcando um passo decisivo na relação entre a União Europeia e os países do bloco.

A assinatura chega quando os EUA adotam uma postura de poder duro, associada a planos políticos regionais. O pacto é visto como símbolo de autonomia econômica e estratégica para Europa e parte da América do Sul, frente a tensões com Washington.

Desde 1999, as negociações já tinham passado por muitas fases, com avanços recentes após mudanças de governo na Argentina e no Brasil. A intensificação ocorreu após a implementação de stricões ambientais pela UE e a resistência de setores agrícolas.

A negociação ganhou impulso com a mudança de foco de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai para diversificar parcerias comerciais. Mesmo com resistência de alguns membros europeus, como França, o acordo caminha para aprovação final.

Para Mercosul, o acordo não é apenas comércio: representa força geopolítica, fortalecendo laços com a UE enquanto o bloco reforça sua posição na relação com Estados Unidos e China. A integração regional recebe novo impulso.

A relação entre Brasil e União Europeia aumenta o interesse em minérios estratégicos, como terras raras, com o Brasil concentrando boa parte das reservas globais. A cooperação busca reduzir dependência de fornecedores externos a curto prazo.

Especialistas veem o acordo como resposta à narrativa de deglobalização, oferecendo uma alternativa de cooperação entre norte e sul global. A conclusão depende ainda de aprovações finais no Parlamento Europeu e nas legislaturas de Mercosul.

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