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Irã pode atacar bases dos EUA se Washington intervir nos protestos

Irã avisa que bases dos Estados Unidos no Oriente Médio poderiam ser atingidas caso Washington intervenha nos protestos, elevando tensões regionais

Tehran, 12/01/2026 - Ato pró-governo no Irã. Foto: Fars News Agency/Divulgação
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  • Irã disse aos países da região que abrigam bases dos EUA que atacaria essas bases se Washington intervir nos protestos no Irã.
  • Três diplomatas disseram que alguns funcionários foram aconselhados a deixar a Base Aérea Al Udeid, no Catar, mas não houve sinal de retirada em larga escala.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou intervir em apoio aos manifestantes, mas o momento e o alcance ainda não estão claros.
  • Teerã pediu aos seus aliados regionais para impedirem Washington de atacar o Irã; contatos diretos entre autoridades iranianas e o enviado dos EUA foram suspensos.
  • O grupo de direitos humanos HRANA disse que, até o momento, houve dois mil e quatrocentos e três manifestantes mortos e cento e quarenta e sete membros do governo, com relatos de queda de acesso à internet no país.

O Irã avisou vizinhos com bases de tropas americanas de que poderia retaliar bases dos EUA caso Washington interceda nos protestos no país. A informação foi passada por uma autoridade iraniana de alto escalão à Reuters nesta quarta-feira (14).

Três diplomatas disseram que alguns funcionários foram aconselhados a deixar a base aérea dos EUA no Catar, Al Udeid, até a noite desta quarta. Não havia sinais de retirada em larga escala das tropas, diferente do que ocorreu antes de ataques de 2020 e 2021.

Trump ameaçou intervir em apoio aos manifestantes, enquanto um grupo de direitos humanos informou a morte de milhares de iranianos nos protestos. Avaliação de autoridades israelenses aponta que o presidente pode ter decidido agir, ainda sem detalhes sobre o escopo.

> Um diplomata descreveu a mudança de postura como uma readequação, sem saída ordenada de tropas. Não houve indicação de deslocamento maciço para fora da base, nem de ações em outros locais próximos, como arenas esportivas ou shoppings.

A embaixada dos EUA em Doha não comentou, nem o Ministério das Relações Exteriores do Catar respondeu aos pedidos de comentário. Trump tem feito declarações públicas desde tempos recentes, com promessas de ação caso o Irã reprima manifestantes.

À Reuters, a autoridade iraniana afirmou que Teerã pediu aos aliados regionais que impeçam Washington de atacar o Irã. Segundo a fonte, o Irã avisou países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Turquia de que bases americanas nesses Estados seriam atacadas em retaliação a um eventual ataque.

Contatos diretos entre o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, teriam sido suspensos, refletindo o agravamento das tensões. O gabinete de segurança de Israel foi informado sobre riscos de intervenção dos EUA no Irã, segundo fontes ouvidas pela Reuters.

O Irã informou que a calma prevalecia entre as autoridades, mas reforçou a determinação de defender soberania contra interferência estrangeira. O fluxo de informações internas voltou a sofrer com um apagão na internet, dificultando a verificação de dados.

A HRANA, grupo de direitos humanos com sede nos EUA, informou ter verificado a morte de milhares de manifestantes e de pessoas associadas ao governo. Autoridades iranianas acusam EUA e Israel de fomentar a instabilidade no país.

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