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O mundo sem um país seria um caos

A retirada dos EUA de 66 fóruns multilaterais ameaça a governança global e pode abrir espaço para a ascensão chinesa

A fire set by protesters burns in front of the U.N. peacekeeping mission in the Democratic Republic of the Congo in Goma on July 25, 2022.
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  • O presidente dos Estados Unidos anunciou a retirada de 66 fóruns multilaterais, com cortes bilionários em financiar organizações internacionais, incluindo ONU, OMS, UNESCO, Conselho de Direitos Humanos e WTO.
  • A medida eleva o risco de enfraquecimento do sistema multilateral, com possível redução de recursos e influência de órgãos globais, mantendo apenas estruturas técnicas essenciais.
  • Dois cenários são discutidos: um “zombie multilateralism”, com organismos sobreviventes, e o ascenso da hegemonia chinesa em governança global.
  • A presença de Pequim seria mais dominante em alguns espaços, enquanto o fluxo de fundos e a reforma da ONU podem ocorrer de forma fragmentada, prejudicando direitos humanos, desenvolvimento e saúde.
  • O futuro da ordem mundial pode exigir reconstrução gradual dos laços dos EUA com o sistema, com compromissos firmes, cooperação bipartidária e liderança responsável para restabelecer a credibilidade internacional.

The World Minus One Will Be a Mess: recast para o Portal Tela

Nos últimos dias, os EUA anunciaram a retirada de 66 fóruns multilaterais, sob a gestão de Donald Trump. A medida envolve cortes de verbas a organizações internacionais e saída de editorias da ONU, clima, saúde e direitos humanos, entre outros. O objetivo é reduzir o engajamento multilateral.

A decisão acontece em meio a críticas de que o sistema multilateral vive grandes pressões: envelhecimento institucional, falhas de reforma, rivalidade entre grandes potências e mudanças tecnológicas rápidas. Analistas veem o risco de enfraquecimento gradual de vários órgãos globais.

O que está em jogo

A retirada afeta finanças e legitimidade de instituições como a ONU, a OMS, UNESCO e o WTO, além de comissões especializadas. A tendência é de redução de atuação dos outros membros, com exceção de órgãos técnicos que permanecem sob influência direta de interesses nacionais.

A administração brasileira da época aponta que outros atores, como União Europeia, Canadá e países emergentes, podem buscar caminhos de cooperação para sustentar partes vitais do sistema. A ideia é evitar o colapso completo do multilateralismo.

Cenário internacional

Comentadores destacam a ascensão de um que seria o “Chinese Century”, com maior protagonismo de Beijing em governança global. A China já reforçou doações e investimentos em organismos internacionais, buscando ampliar influência enquanto Washington reduz interação.

Especialistas ressaltam que, mesmo com retirada norte-americana, não apenas uma dependência financeira determina o peso do sistema. A legitimidade baseada em direitos humanos e valores universais permanece central para muitos atores globais.

Perspectivas para o futuro

Improvável que surja um único modelo alternativo. A leitura comum aponta para mistura: algumas instituições enfraquecidas, domínio chinês em áreas específicas e coalizões de potências médias para manter interesses-chave. O futuro dependerá de decisões de várias capitais.

Caso haja retorno americano ao multilateralismo, novos desafios surgirão: credibilidade abalada, necessidade de compromissos duradouros e consenso bipartidário para um reboot efetivo. Reforçar regras e cooperação será decisivo para reconquistar espaço.

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