- Dois votos de confiança contra o governo francês, apresentados pelo RN de direita e pela LFI de esquerda, devem ser examinados na Câmara nesta quarta-feira, mas não devem passar.
- As moções visam protestar contra o acordo comercial entre a União Europeia e o bloco Mercosul, assinado apesar da oposição francesa.
- O Partido Socialista descartou apoiar as moções, e os conservadores The Republicans disseram que não votarão pela destituição do governo; a votação acontece na sessão da tarde.
- Uma das opções para o orçamento de 2026 é o primeiro-ministro invocar o Artigo 49.3 da Constituição para aprovar o projeto sem voto, o que pode provocar novas moções de confiança.
- O presidente Emmanuel Macron busca aprovação do orçamento ainda em janeiro, em meio a um Parlamento fragilizado desde 2022 e com resultados eleitorais de 2024 ainda não estáveis.
O governo francês enfrenta duas moções de desconfiança nesta quarta-feira. Elas foram apresentadas pela direita radical RN e pela esquerda LFI para protestar contra o acordo comercial da União Europeia com o bloco Mercosul. As votações devem ocorrer na Assembleia Nacional, no período da tarde.
As proposições não devem prosperar, segundo expectativas. O Partido Socialista não apoiará as moções, e os conservadores The Republicans recusaram votar pela condenação do governo. A oposição afirma que o alvo é o acordo com Mercosul, não a gestão interna.
VND: atividades e desdobramentos diplomáticos
Fontes ligadas ao governo indicam que o primeiro-ministro Sebastien Lecornu deixará as moções correrem para depois retomar as negociações sobre o orçamento. O governo avalia várias opções para seguir, incluindo medidas constitucionais para aprovar o texto orçamentário.
AGENDA OFICIAL: orçamento de 2026
Entre as possibilidades, o premiê pode invocar o Artigo 49.3 da Constituição para aprovar o projeto de leis de finanças sem novo voto, após negociações com todos os blocos, exceto RN e LFI. Tal movimento tende a provocar novas moções de desconfiança.
A pauta de gastos permanece dolorosa para o governo. Fontes afirmam que o déficit próximo de 5% persiste, mesmo com esforços de consenso. O presidente Emmanuel Macron, segundo sua comitiva, quer que o orçamento seja aprovado ainda em janeiro.
Contexto político
O parlamento francês vem de uma fase fragilizada desde 2022, quando Macron perdeu a maioria. A crise se intensificou com eleições legislativas antecipadas em 2024, resultando em um parlamento igualitário entre blocos: centro-direita, esquerda e RN.
Mercados e críticas à negociação
O acordo Mercosul com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai teve aprovação de outros Estados-membros da UE na semana passada, apesar da oposição interna. RN e LFI acusam o governo de não bloquear suficientemente o tratado. O governo, porém, sustenta que não houve meios adequados para impedir a adoção do acordo.
Fontes: Reuters.
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