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Acordo UE-Mercosul é vitória do multilateralismo, diz Lula

Assinatura em Assunção sela acordo UE-Mercosul; elimina tarifas para mais de noventa por cento do comércio, sujeito a ratificação europeia

Ursula von der Leyen e Lula, no Rio de Janeiro, em 16 de janeiro de 2026. Foto: Mauro Pimentel/AFP
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  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia é positivo para ambos os blocos, principalmente para o mundo democrático e o multilateralismo.
  • A assinatura do tratado ocorrerá neste sábado, 17, no Paraguai, após mais de vinte e cinco anos de negociações.
  • O texto define compromissos com o meio ambiente, mudanças climáticas, direitos dos povos indígenas, direitos dos trabalhadores e igualdade de gênero, buscando desenvolvimento sustentável e redução de desigualdades.
  • O acordo elimina tarifas para mais de noventa por cento do comércio bilateral, ampliando exportações europeias de automóveis, maquinário, vinhos e destilados, em troca de facilitar a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanas.
  • Após a assinatura, o tratado precisa ser referendado pelos países signatários do Mercosul e pelo Parlamento Europeu; produtores agropecuários europeus temem competitividade sul-americana e cobram cláusulas de proteção, com protestos ocorrendo em vários países.

Acordo entre Mercosul e União Europeia foi apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma vitória do mundo democrático e do multilateralismo. O anúncio ocorreu na sexta-feira, após mais de 25 anos de negociações, com Lula em discurso no Rio de Janeiro ao lado de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.

A assinatura do tratado está prevista para sábado, em Assunção, no Paraguai. O acordo visa ampliar oportunidades comerciais e de investimentos sem retirar o papel do Estado em áreas como saúde, desenvolvimento industrial, inovação e agricultura familiar. Lula destacou compromissos com meio ambiente, clima, povos indígenas, direitos trabalhistas e igualdade de gênero.

Segundo o governo brasileiro, o pacto elimina tarifas para mais de 90% do comércio bilateral e facilita a entrada de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanas na UE, em troca de preferências para automóveis, maquinário, vinhos e destilados europeus. O texto ainda precisa passar por referendos no Mercosul e no Parlamento Europeu.

Detalhes políticos e critérios de implementação

Na visão de Lula, o acordo representa abertura comercial com responsabilidade social, mantendo padrões elevados de direitos trabalhistas e proteção ambiental. O governo brasileiro sinaliza interesse de ampliar parcerias com Canadá, México, Vietnã, Japão e China, além de buscar novos mercados.

Desafios e próximos passos

Produtores europeus temem entrada de itens sul-americanos com normas de produção menos rígidas. A Comissão Europeia apresentou cláusulas para mitigar impactos, incluindo garantias setoriais e mecanismos de intervenção em caso de desestabilização do mercado. A assinatura formal depende de ratificação em cada órgão signatário. AFP

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