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Brasil e UE celebram acordo UE-Mercosul como vitória do multilateralismo

Assinatura do acordo UE-Mercosul, após mais de vinte anos, sinaliza a defesa do multilateralismo e abertura comercial, mesmo diante resistência de produtores europeus

Ursula von der Leyen e Lula, no Rio de Janeiro, em 16 de janeiro de 2026. Foto: Mauro Pimentel/AFP
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  • Lula e Ursula von der Leyen celebraram a iminente assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, prevista para sábado em Assunção.
  • O acordo, após mais de vinte anos de negociações, criará uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, envolvendo 30% do PIB global e mais de 700 milhões de pessoas.
  • Lula destacou que o pacto é bom para ambos os blocos e muito bom para o mundo democrático e o multilateralismo; Von der Leyen afirmou que demonstra o poder da cooperação e da abertura.
  • A assinatura ocorrerá em Assunção, com a presença de presidentes do Paraguai e do Uruguai; Lula não participará; o acordo foi aprovado pela UE em 9 de janeiro, com votos contrários de França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria.
  • O acordo deve ampliar exportações brasileiras para a Europa (carne, soja, arroz, café e outros) em troca de acesso a veículos e vinhos europeus; setores europeus temem entrada de produtos Mercosul com normas menos rígidas. Além disso, há negociações entre UE e Brasil sobre minerais críticos.

O presidente Lula e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudaram nesta sexta-feira a iminente assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. O anúncio ocorreu durante visita ao Rio de Janeiro, onde ambos ressaltaram o papel do pacto no fortalecimento do multilateralismo.

O acordo, negociado por mais de duas décadas, será assinado no sábado, 17, em Assunção, capital do Paraguai. Junto aos dirigentes, estão previstos representantes dos governos do Mercosul e da UE; a assinatura acontece em meio a tensões políticas globais e protecionismo crescente.

O bloco europeu e o Mercosul somam 30% do PIB mundial e reúnem mais de 700 milhões de pessoas, segundo autoridades. Lula destacou que o tratado beneficia tanto o bloco quanto o mundo democrático, fortalecendo regras de cooperação.

Von der Leyen elogiou o papel de Lula nas negociações, afirmando que o acordo evidencia o poder da cooperação e da abertura. A chefe europeia participou de uma escala no Rio antes de seguir para Assunção.

A assinatura em Assunção contará com o presidente paraguaio, Santiago Peña, e o presidente uruguaio, Yamandú Orsi. A presença de Javier Milei ainda não está confirmada. Lula não participará do encontro, que ocorreu inicialmente em nível ministerial.

Ao anunciar o acordo, Lula ressaltou valores democráticos compartilhados entre UE e Mercosul, como Estado de Direito e direitos humanos. O objetivo é ampliar mercados e fortalecer a cooperação econômica entre as regiões.

Resistência na Europa

Alguns setores europeus manifestaram resistência, em especial agricultores e pecuaristas de países membros. França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria votaram contra o acordo no Conselho Europeu, que aprovou o texto em janeiro.

Mesmo com as objeções, a assinatura foi autorizada pela UE, com a promessa de regras estáveis, previsibilidade e cadeias de abastecimento mais integradas. O pacto deve abrir mercados para itens como carne e soja brasileiras, em troca de veículos e queijos europeus.

Além do tema comercial, Von der Leyen mencionou projetos de cooperação em minerais críticos, como lítio e níquel. Segundo ela, os investimentos conjuntos visam apoiar a transição digital, a produção responsável e a independência estratégica.

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