- Trump comemora um ano no cargo; versão 2.0 é mais planejada, menos normatizada e com uma equipe mais estável e leal, influenciando a política externa.
- Alteração de postura diante do Irã e Venezuela: houve rapidez em considerar ações militares, mas aliados do Golfo e a Turquia pediram cautela, limitando intervenções neste momento.
- Análise de “lei da selva”: o presidente busca usar mais o poder e industrial policy, com foco em controle econômico e menos em regimes de mudança, o que afeta relações com China e outros países.
- Donroe Doctrine e hemisfério: EUA seguem como superioridade militar na região, mas enfrentam competição econômica da China; há limitações para ampliar ações na prática.
- Reação internacional: Europa, Canadá e outros fortalecem alianças e políticas de hedge; surgem acordos comerciais e cooperações regionais para contrabalançar a influência americana diante de um ambiente mais voltado ao poder.
Donald Trump completa um ano à frente dos Estados Unidos no cargo de 47º presidente nesta terça-feira (20). A análise considera o que mudou entre a gestão atual e o primeiro mandato, com foco no eixo externo e na forma como o mundo reage a uma política mais agressiva. O geopolítico Ian Bremmer, cofundador da Eurasia Group e presidente da GZERO Media, explica o cenário em entrevista para o FP Live.
Segundo Bremmer, a versão 2.0 de Trump tem mais planejamento, menos amarras a normas e uma equipe de confiança mais estável. A conversa, em formato de entrevista, discute a evolução da política externa norte-americana e a resposta de aliados e rivais a esse posicionamento.
O tema central é a abordagem de Trump em relação a intervenções, alianças e economia. A conversa aborda possíveis ações contra o Irã, tensões na Venezuela e o papel de potências como China, Rússia e membros da OTAN no novo eixo de poder.
Bremmer afirma que, apesar de sinais de vontade de uso rápido da força, a primeira inclinação de atacar o Irã recuou após intervenções de aliados do Golfo e de outras potências regionais. A avaliação é de que a violência contra protestos no Irã se intensificou, afetando a dinâmica de potências no Oriente Médio.
O analista descreve a política externa como baseada no que ele chama de “lei da selva”: poderosas decisões, com menor ênfase em freios institucionais. Entretanto, ele aponta que a narrativa de uma mudança radical na política de Trump não corresponde aos fatos observados até aqui.
A pesquisa destaca ainda o que chama de “Donroe Doctrine” — a ideia de liderança estável na América, com cooperação regional, mas com limitações impostas pela ascensão da China na região. A influência chinesa cresce no comércio e na economia de países da região, dificultando o alcance de políticas unilaterais dos EUA.
Para países menores, a resposta tem sido defensiva e pragmática, com ênfase em fortalecer relações bilaterais e hedge estratégico. Canadá e México aparecem como exemplos de atuação cuidadosa, visando manter espaço de manobra diante de mudanças no ambiente regional.
Bremmer ressalta que a Europa já atua como interlocutora relevante, especialmente na defesa da Ucrânia e na busca por acordos comerciais com outras regiões. Ainda assim, admiti-se que o peso global dos EUA vem diminuindo com a maior autonomia de parceiros internacionais.
Ao falar sobre o futuro, o analista indica que não há consenso sobre até quando o cenário atual perdurará. A expectativa é de que eventuais mudanças políticas, caso ocorram, poderão reverter parte dos ganhos de poder de Trump, alterando o equilíbrio mundial em anos vindouros.
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