- O presidente Donald Trump ameaçou aplicar uma tarifa de dez por cento sobre todas as importações dos oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, caso não haja acordo para a compra total da Groenlândia pelo EUA.
- Se o acordo não for alcançado, a tarifa subiria para vinte e cinco por cento em 1º de junho.
- A União Europeia pode ativar o instrumento de coerção antiencrou (ACI), conhecido como “big bazooka”, para impor retaliações proporcionais contra o país agressor.
- As medidas podem incluir exclusão de empresas do mercado interno ou controles de exportação; a decisão depende de aprovação por maioria qualificada entre os estados-membros.
- O bloco teme impactos econômicos: as importações dos EUA somam mais de trezentos e sessenta e cinco bilhões de dólares; o impacto macro pode variar entre países e para a zona do euro, com potencial efeito negativo em exportações e inflação.
Donald Trump ameaça impor tarifas adicionais aos produtos importados pelos EUA de oito países europeus caso não haja acordo sobre a compra total de Groenlândia. A medida seria de 10% a partir de 1º de fevereiro e poderia subir para 25% em 1º de junho, se o acordo não for fechado.
Os países-alvo são Dinamarca, Noruega, Suécia, Reino Unido, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia. A proposta ocorre numa conjuntura de pressão sobre Groenlândia, recurso estratégico no Ártico. O objetivo declarado é obter a venda da ilha pelo governo dinamarquês.
Em resposta, a União Europeia ameaça ativar o instrumento de coerção anti-coerção (ACI), conhecido popularmente como a “big bazooka”, criado em 2023 para responder a pressões comerciais. O mecanismo permite retaliação ampla e proporcionada.
O que é a big bazooka
O ACI autoriza medidas como excluir empresas do mercado interno da entidade, impor controles a exportações ou questionar proteções de propriedade intelectual. O uso seria calculado para causar danos econômicos equivalentes ao impacto sofrido pela UE, buscando minimizar impactos sobre a própria economia.
Riscos e avaliações
Fontes oficiais divergem sobre a rapidez de implementação. A Comissão Europeia poderia levar meses para avaliar a coerção, com aprovação de cada passo pelos Estados-membros. Retaliação exigiria maioria qualificada na UE, com várias rodadas de negociações.
França tem sido defensora da medida, junto a Alemanha, que concordou em considerar o uso do instrumento. Já a Alemanha enfatiza cautela devido à dependência de exportações. Países como Irlanda, Países Baixos e Itália têm posição mais reticente.
Cenário econômico e impacto
Estimativas apontam que as importações dos EUA para esses países somaram mais de US$ 365 bilhões no ano anterior, representando boa parte das exportações europeias para o mercado americano. Um imposto de 10% poderia reduzir o PIB real local entre 0,1% e 0,2%.
O efeito para a zona do euro ficaria ao redor de 0,1%, com impactos similares para o Reino Unido. Os EUA também enfrentariam consequências, com custos para empresas e inflação possivelmente pressionada.
Perspectivas de resolução
Especialistas esperam que a decisão do Supremo Tribunal dos EUA sobre a legalidade das tarifas possa cancelar a medida de Trump, abrindo caminho para negociações. A Casa Branca pode recuar diante da pressão de mercados ou de retaliações da UE, adotando táticas alternativas.
Analistas lembram que o cenário externo não favorece ganhos rápidos para nenhuma parte, e que diferentes cenários condicionam o equilíbrio entre diplomacia, comércio e mercados. A comunidade internacional observa atentamente a evolução do caso.
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