- Lula aposta na defesa do direito internacional como trunfo diplomático para reconstruir sua imagem, diante da derrota no Mercosul e da pressão dos EUA na região.
- A tentativa de avançar o acordo Mercosul–União Europeia falhou politicamente: Giorgia Meloni atrasou o parecer, a assinatura ficou com o presidente do Paraguai, Santiago Peña, e Lula não participou da cerimônia.
- Na segunda-feira, Lula escreveu um artigo no New York Times criticando ações unilaterais dos Estados Unidos e defendendo normas para as relações entre países, em tom retórico.
- Analistas e oposicionistas veem incoerência e isolamento: apontam que o discurso não condiz com ações do governo em relação a Rússia, China e demais potências, o que pode reduzir influência brasileira.
- A ausência de Lula em Davos e a participação restrita na assinatura do Mercosul reforçam a percepção de isolamento diplomático, segundo especialistas, enquanto o Planalto diz que é uma estratégia de foco na agenda doméstica e em alianças regionais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulou uma nova tentativa de reconquistar protagonismo internacional por meio de propaganda e do discurso sobre o direito internacional. A estratégia ocorre em meio a resultados desfavoráveis no Mercosul e diante de pressões externas na região.
A assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, enquanto Lula ocupava a presidência rotativa do bloco, revelou divergências entre as lideranças. A premiê italiana Giorgia Meloni atrasou o parecer, transferindo o protagonismo para o presidente paraguaio Santiago Peña, que celebrou ao lado de Milei e Paz. Lula não participou da cerimônia.
Na segunda-feira, Lula publicou um artigo de opinião no New York Times defendendo normas internacionais e criticando ações unilaterais dos EUA na Venezuela. O texto reforçou a defesa de relações pautadas por regras, sem uso da força, segundo a leitura de apoiadores. Críticos, porém, apontam uso retórico para favorecer a imagem externa.
Analistas lembram que o artigo não condiz com a prática do governo, segundo o especialista Cezar Roedel, que o classifica como propaganda. Ele afirma que o Brasil não condena conflitos de potências rivais quando oportuno, o que evidencia uma hipocrisia percebida por parte de críticos.
Para Filipe Barros, líder do PL na Câmara, o discurso expõe incoerência diplomática. O deputado sustenta que o governo tem isolado o Brasil ao alinhar-se com autocracias, ressaltando que a postura favorece relações menos pragmáticas. As críticas destacam a distância de Washington frente a outras potências.
Com a ascensão de lideranças de direita na região, a atuação brasileira é vista como menos assertiva. A aproximação de Lula com figuras como Gustavo Petro reforça a percepção de isolamento político e reduz o espaço para uma liderança regional claramente definida.
Analistas destacam o pragmatismo como caminho para avanços. Leila Bijos sustenta que as relações com Estados Unidos e União Europeia devem ser fortalecidas, orientando a cooperação econômica e tecnológica. Ela defende uma política externa universalista, com foco em resultados.
Roedel aponta fragilidades estruturais que impactam o protagonismo brasileiro. Segundo ele, investimentos em defesa e infraestrutura são recursos estratégicos para barganha, e a atual gestão admite limites de orçamento para aeronaves militares, o que limita exercícios de liderança regional.
Enquanto governistas veem o multilateralismo como autonomia estratégica, críticos ressaltam a necessidade de clareza sobre o eixo internacional desejado pelo Brasil. A gestão atual é interpretada como ambígua, o que pode afetar o apoio de aliados históricos.
A assinatura do acordo entre Mercosul e UE foi marcada pela presença de Peña e Milei, além de outros líderes de direita. Lula ficou ausente da cerimônia, reforçando a leitura de esvaziamento da liderança brasileira no bloco. A participação brasileira em Davos também ficou de fora, com Esther Dweck representando o governo no fórum.
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