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Após os escombros, Aleppo poderá ser reconstruída?

Anos de guerra transformaram Aleppo em cidade em ruínas; retorno permanece frágil, com reconstrução local improvisada e imóveis estruturalmente comprometidos

Bombed-out buildings in the Old City of Aleppo.
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  • Nearly two-thirds of Aleppo remains in ruins, e tornando a reconstrução um desafio enorme, com moradores voltando a residir em áreas danificadas devido à falta de moradias e aumento de aluguel.
  • Em Amiriya, Abdul Arab retornou à casa de família após treze anos, ainda com áreas sem teto e sinais de obras recentes, enquanto registros de saque de materiais aparecem.
  • A cidade vive décadas de reconstrução desorganizada, com moradores reconstruindo casas e comércios de forma individual, o que eleva riscos estruturais.
  • O Old City de Aleppo, insistentemente ligado à UNESCO, já enfrentou ameaças de modernização; o patrimônio histórico ficou ainda mais fragilizado após o terremoto de 2023.
  • O retorno dos sírios do exterior ocorre em meio à escassez de serviços, inflação de aluguel e cortes de áreas por parte de autoridades, mantendo o cenário de bairros fantasmas em volta da cidade.

Um ano após a queda de Bashar al-Assad e o colapso do regime, quase 3 milhões de sírios retornaram ao país, incluindo cidades como Aleppo. Muitos voltaram para bairros destruídos, sem água, luz ou moradias estáveis, e encontraram alternativas improvisadas de casa.

Em Amiriya, bairro periférico de Aleppo, moradores constroem e recuperam imóveis com recursos limitados. Casas sem teto, paredes rachadas e estradas cobertas de escombros indicam o desafio de reconstrução local. A violência deixou marcas profundas na infraestrutura e na vida cotidiana.

Entre as histórias, destaca-se Abu Arab, que retornou à casa da família após 13 anos. O imóvel apresenta pilares expostos e cômodos reconstruídos, com sinais de saque e deterioração por anos de conflito. O residente explica que a retirada de materiais essenciais ocorreu com frequência durante a ocupação.

Especialistas ouvidos indicam que cerca de dois terços de Aleppo está em ruínas, e que a limpeza de escombros pode demorar anos. A reconstrução, por ora, é predominantemente feita por moradores que tentam restabelecer moradias e pequenos comércios sem planejamento público abrangente.

A região sofreu ainda consequências de um terremoto no final de 2023, que intensificou os danos ao patrimônio histórico da Old City. Mesmo assim, parte da população retorna aos souks antigos com intuito de reconstruir atividades comerciais e preservar a memória urbana.

Historicamente, Aleppo resistiu a planos de modernização que ameaçavam o centro histórico. O Old City recebeu reconhecimento da UNESCO na década de 1980, ajudando a preservar sua identidade comum e a manter artesanato tradicional vivo, apesar dos conflitos.

O relato mostra que a retomada permanece lenta e desorganizada, com muitos moradores improvisando soluções habitacionais. A falta de água, energia e infraestrutura básica complica a volta de famílias ao núcleo urbano original.

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