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China vê oportunidade na Groenlândia, não como Trump imagina

Beijing vê oportunidade em Groenlândia diante da deterioração da aliança liderada pelos EUA, fortalecendo a presença chinesa no Ártico e a Rota Polar

the shadow of human figures on a ship cast over some arctic sea ice
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  • A China vê uma oportunidade na Groenlândia diante da quebra da ordem global liderada pelos EUA, segundo análises sobre Trump.
  • Historicamente, EUA e Dinamarca resistiram a investimentos chineses; em 2018 a Dinamarca bloqueou expansão de aeroportos controlados por chineses na Groenlândia.
  • Em 2018, a China publicou um white paper destacando uma política ártica e o objetivo de construir uma Rota da Seda Polar, com rotas marítimas no Ártico.
  • Em outubro, o primeiro carregamento chinês via Rota do Mar do Norte chegou a Felixstowe, na Inglaterra, em 20 dias, mas depende de cooperação com a Rússia.
  • O investimento chinês na Groenlândia já foi relevante, chegando a mais de 11% do PIB entre 2012 e 2017, hoje é limitado; o projeto de Kvanefjeld tem participação de 6,5% e está inativo devido a proibição de urânio.

Beijing enxerga uma oportunidade estratégica em Greenland, mas não da forma como o ex-presidente Donald Trump imagina. A análise aponta que a deterioração da aliança entre EUA e aliados europeus poderia abrir espaço para maior influência chinesa na região ártica.

A China tem enfrentado resistência de Washington e de Copenhague para ampliar sua presença em Greenland. Enquanto Trump propõe ações para conter riscos ao equilíbrio global, analistas veem que o entorno político atual aumenta o atrito entre potências e desperta interesse chinês em atuar de forma mais autônoma no Ártico.

Kaja Kallas, chefe de assuntos exteriores da UE, sugere que China e Rússia podem estar aproveitando a tensão gerada pelas propostas de Trump para Greenland, que, segundo ela, poderiam dividir a OTAN. A leitura de Beijing é de que a instabilidade beneficia a cooperação com parceiros estratégicos no Norte.

Para Washington, as mudanças são vistas como sinal de que o mundo liderado pelos EUA está em transformação e que esse cenário pode reduzir o peso da aliança transatlântica. Em resposta, China afirma se opor a ações que minem a Carta das Nações Unidas e critica o uso do tema China threat para justificar tarifas a países europeus.

No histórico, crescimento de investimentos chineses em Greenland já foi expressivo entre 2012 e 2017, respondendo por mais de 11% do PIB local na época. A meta era aproveitar recursos minerais, mas a segurança e o controle dinamarqueses limitaram projetos.

Em 2018, a China publicou um white paper apresentando a ideia de uma política ártica que a classificava como estado próxima do Ártico, com interesses no tema. O texto defendia cooperação para construir uma Rota Polar de comércio marítimo e ampliar pesquisas científicas na região.

A prática de operar rotas comerciais no Ártico ganhou impulso quando, em outubro, um navio container chinês partiu de Ningbo e atracou em Felixstowe, no Reino Unido, via Rota Marítima do Norte. A operação anunciou a viabilidade de encurtar trajetos entre Ásia e Europa.

Essa rota depende principalmente da cooperação com a Rússia. Com a invasão da Ucrânia, a China se aproximou de Moscou, gerando desconfiança entre países europeus, o que dificulta investimentos chineses em Greenland.

Especialistas afirmam que o envolvimento chinês em Greenland hoje é modesto, e que interesses em projetos de mineração, como o de Kvanefjeld, não avançaram por restrições locais. O projeto de mineração de terras raras permanece com status limitado.

Patrik Andersson, do Centro Nacional Sueco sobre China, ressalta que pressões dos EUA e da Dinamarca dificultam a atuação de empresas chinesas em Greenland. Mesmo com participação de 6,5% no projeto, a exploração de urânio foi proibida pela governança local em 2021.

Segundo analistas, a escalada de possíveis ações de Trump aumenta a necessidade de avaliação cuidadosa por Pequim, que busca manter ganhos na região sem romper com aliados ocidentais. A atual postura chinesa prioriza estabilidade e cooperação em meio a tensões com o Ocidente.

A cobertura indica, ainda, que a estratégia de Pequim envolve equilibrar interesses econômicos com questões de segurança, evitando confronto direto que possa virar motivo de retaliação ou criação de inimigos europeus. O tema permanece sob observação internacional.

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