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Confronto com Irã sobre inspeções não pode durar para sempre, diz chefe da AIEA

Grossi: impasse com o Irã sobre inspeções não pode durar para sempre; IAEA exige relatório e retomada das verificações para evitar desvio de material

Rafael Grossi, Director General of the International Atomic Energy Agency (IAEA), outlines his priorities as a candidate for United Nations Secretary-General during an event framing his bid around diplomacy, sustainable development and international cooperation, in Buenos Aires, Argentina, December 22, 2025. REUTERS/Mariana Nedelcu/File Photo
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  • O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, afirmou que o conflito sobre o urânio enriquecido do Irã não pode durar para sempre.
  • A AIEA inspecionou as 13 instalações nucleares declaradas no Irã que não foram bombardeadas, mas não conseguiu inspecionar os três locais atingidos em junho: Natanz, Fordow e Isfahan.
  • O Irã precisa apresentar à AIEA um relatório sobre o que houve nesses locais, incluindo uma estimativa de 440,9 kg de urânio enriquecido até 60 por cento.
  • Esse material, se enriquecido ainda, poderia sustentar até 10 bombas nucleares, segundo a AIEA; o Irã ainda não enviou esse relatório especial.
  • Grossi disse que, se não houver avanço, poderá usar o mecanismo de violação do acordo nuclear, e mencionou que deverá se encontrar com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, em breve para discutir o assunto.

A reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, resultou em comentários do chefe da AIEA sobre o impasse com o Irã. Rafael Grossi afirmou que o confronto sobre o estoque de urânio militarmente enriquecido e as inspeções não pode durar indefinidamente.

A AIEA já inspecionou 13 instalações iranianas não atingidas por ataques, mas não pôde verificar três alvos bombardeados em junho: Natanz, Fordow e Isfahan. O Irã precisa apresentar um relatório sobre o que ocorreu nesses locais e no material, incluindo cerca de 441 kg de urânio enriquecido a até 60%.

Iranianos não enviaram esse relatório especial, segundo Grossi. Ele afirmou que, se o material não for rastreável, pode haver risco de desvio. O chefe da AIEA ressalta a obrigação do Irã como parte do Tratado de Não Proliferação Nuclear e destaca que não há opção de escolha de conformidade.

Situação atual das inspeções

Grossi indicou que a verificação mensal de estoques é essencial e que o tempo para resolver o impasse está se esgotando. Ele afirmou ainda que poderia haver consequências caso o Irã não coopere plenamente.

O diplomata comentou que a interação com esforços de normalização entre Irã e Estados Unidos, liderados por um enviado americano, Steve Witkoff, influencia a dinâmica. Segundo ele, não se deve ignorar esse contexto diplomático, ainda que as inspeções continuem prioritárias.

O mais recente levantamento, segundo Grossi, ocorreu em dezembro, com inspeções adicionais até o fim do mês. Ele indicou que o Irã também está passando por instabilidades internas, mas afirma que as negociações devem seguir para resguardar o cumprimento do NPT.

Perspectivas e próximos passos

Grossi sinalizou a possibilidade de resolver a questão na primavera, desde que o Irã coopere plenamente. Ele planeja se reunir com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, em dias ou semanas, para avançar nas negociações.

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