- A resolução 2803, aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, parecia buscar apenas um cessar-fogo em Gaza, mas revelou um “board of peace” dominado por Trump, visto como uma tentativa de substituir a ONU.
- O documento de criação do conselho não menciona Gaza e descreve um organismo permanente para promover paz e governança global, com Trump como único líder, autoridade para convocar reuniões e emitir resoluções.
- Participação na diretoria depende de compra de associação vitalícia por 1 bilhão de dólares, e mesmo assim membros podem ser removidos por Trump. A carta do estatuto parece criticamente inclinada a derrubar a ONU.
- O modelo cria uma organização mais rica e desigual do que o Conselho de Segurança da ONU, com veto absoluto de Trump, além de estruturas específicas para Gaza e um force internacional de estabilização sob comando dos Estados Unidos.
- Embora o objetivo seja supostamente manter o cessar-fogo, há poucas perspectivas reais de avanço: Israel é contrário a participação de terceiros em Gaza, e a presença do conselho é vista como instrumento para deslocar agências da ONU e favorecer interesses privados.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou, em 18 de novembro, a resolução 2803 para respaldar uma retirada de Gaza sob um “board of peace” liderado por Donald Trump. A expectativa era engajar Trump numa via de paz no Gaza, mas o texto resultante descreve um mecanismo de governança com controle mais amplo e permanente.
O documento que acompanha a festa de aprovação não menciona Gaza de forma direta. Em vez disso, apresenta o board como um órgão internacional ágil e orientado a resultados, com poderes para nomear conflitos e supervisionar ações de paz globais, sob a presidência de Trump.
Especialistas destacam que a carta não segue a linguagem típica do UN Charter, que prega autodeterminação, soberania e direitos humanos. O artigo central aponta regras administrativas, com Trump como único nome citado, e a possibilidade de membros serem removidos por decisão dele.
O texto prevê um conselho executivo para Gaza, um comitê nacional de administração e uma força internacional de estabilização (ISF) sob comando de um general dos EUA, além de mecanismos para a implementação de cessar-fogo. Fontes afirmam que esse arranjo tende a reduzir o papel de agências da ONU em zonas de pós-conflito.
Nickolay Mladenov, indicado como alto representante em Gaza, seria o principal diplomata segundo o projeto, mas enfrentaria resistência de financiadores privados, como Steve Witkoff e Jared Kushner, que seriam parte do núcleo financeiro do grupo.
Até o momento, não há indicação de avanços pragmáticos em Gaza, já que o governo de Israel não sinaliza apoio à segunda fase do cessar-fogo que envolve governança palestina plena em Gaza. A situação mantém-se estável, porém tensa, para a população local.
Para mais de dois milhões de palestinos, a proposta mantém-se como uma dúvida: permanecem em acampamentos precários, expostos a bombardeios, sem perspectivas claras de retorno ou reconstrução, enquanto a via de paz permanece em debate. Fontes internacionais observam o impacto humanitário com cautela.
Observadores destacam que a participação de Vladimir Putin, como candidato, é improvável e que a iniciativa pode se tornar um projeto decorativo sem avanço concreto. Países como a França já sinalizaram resistência, com efeitos potenciais de retaliação econômica.
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