- Celso Amorim afirma que ataque a Caracas abalou a certeza de paz na região, destacando que a confiança vinha de instrumentos como a Carta das Nações Unidas e do princípio de soberania.
- Segundo Amorim, a intervenção expõe a pergunta “como viver num mundo sem regras?”, indicando que não há leis eficazes para regular as relações entre países.
- O ex-chanceler sustenta que, nesse cenário, a força militar passa a ser determinante e a guerra é vista como meio legítimo de mudança, gerando imprevisibilidade.
- O Brasil promete seguir defendendo o multilateralismo, citando o acordo entre Mercosul e União Europeia e o engajamento com instituições internacionais que precisam de reforma.
- Lula publicou no The New York Times um artigo criticando o ataque, chamando-o de capítulo na erosão do direito internacional e defendendo um processo político inclusivo liderado pelos venezuelanos.
O Brasil confirmou o uso de linguagem contundente sobre a intervenção militar dos EUA na Venezuela, que teria abalado a percepção de paz no continente. Análises de Celso Amorim, assessor especial da Presidência, apontam que a confiança internacional na estabilidade regional se fragilizou após o ocorrido em Caracas.
Amorim afirma que o mundo vive um momento de retorno de maior peso da força militar nas relações entre estados. Ele alerta para a ausência de regras claras que regulem a atuação dos países, o que pode aumentar a imprevisibilidade e o poder coercitivo, com riscos à ordem global.
Segundo o ex-chanceler, o Brasil continua defendendo o multilateralismo e o respeito à soberania. Ele cita o acordo entre Mercosul e União Europeia, concluído após longos 26 anos de negociações, como exemplo de cooperação entre blocos para fortalecer o direito internacional.
Ainda sob a ótica de Amorim, o cenário atual exige reformas nas instituições multilaterais para evitar confrontos e a dissolução de normas que regem a convivência entre nações. O assessor ressalta a necessidade de manter a não intervenção como princípio central.
Lula também reforçou críticas ao ataque na Venezuela em artigo publicado no The New York Times. O presidente destacou que o hemisfério pertence aos seus povos e que a resposta precisa vir de processos políticos inclusivos liderados pelos venezuelanos.
No texto, Lula caracteriza a ação militar como mais um capítulo da erosão do direito internacional e da ordem multilateral. O tema central é a soberania venezuelana e a condução de um futuro democrático por meio de um projeto político interno.
O líder brasileiro descreveu ações militares de grandes potências como incursões com objetivos estratégicos, reconhecendo interesses ligados a recursos e infraestrutura da região. Ele defende que governos de maior poder não podem permanecer apenas sob uma lógica de medo e coerção.
O governo brasileiro sinaliza que continuará buscando parcerias com Europa, China e outros atores comprometidos com o direito internacional e as instituições multilaterais. O objetivo é evitar maior escalada de violência e manter a estabilidade regional.
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