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Índia planeja fechar acampamentos de deslocados pela violência em Manipur

Com o fechamento de acampamentos em Manipur, uma igreja planeja comprar terreno para a congregação, enquanto o retorno seguro não é garantido

The relief camp in Manipur where Lamjagou Vaiphei lives with his wife, three children, and seven other families.
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  • Mais de dois anos após a violência entre Meitei e Kuki‑Zo, milhares de deslocados vivem em acampamentos em Manipur, com condições de higiene e vida precárias.
  • O governo planeja fechar todos os acampamentos até o fim do ano e oferecer moradias pré‑fabricadas aos que não podem voltar às aldeias.
  • O governo informou que cerca de 8 mil a 10 mil pessoas podem continuar sem retorno seguro, cabendo a alguns ficarem em casas pré‑fabricadas.
  • A igreja local planeja comprar um terreno de 3 hectares para dividir em 80 lotes de 4 mil pés quadrados cada, vendendo cada um por 100.000 rúpias para reconstruir moradias da congregação.
  • As condições nos acampamentos seguem ruins, com saneamento inadequado; desde novembro, houve transferência direta de 84 rúpias por dia por pessoa, em vez de assistência em mantimentos.

A Agência de notícias relata que os campos de abrigo em Manipur, no nordeste da Índia, devem ser fechados pelo governo, mesmo diante de condições precárias para milhares de deslocados. A população afetada teme ficar sem moradia, após anos de violência étnica entre Meitei e Kuki-Zo.

Lamjagou Vaiphei, agricultor pesqueiro, vive em um campo comunitário em Churachandpur desde a fuga de Kangpokpi, em 2023. Ele afirma que retornar à aldeia é inseguro devido à ocupação contínua de meitei na região. O governo ainda não mediou uma solução.

A crise decorre do conflito que levou à expulsão de mais de 60 mil pessoas e a 260 mortes. Desde 2023, deslocados vivem em mais de 280 acampamentos internos em três distritos. O governo planejou, em julho, encerrar os campos até o fim do ano.

Medidas e prazos

O secretário-chefe do governo de Manipur disse que cerca de 10 mil deslocados já foram reassentados, com milhares de casas em construção. Contudo, não há confirmação de atendimento a Lamjagou ou a outras famílias de um único campo.

O governo substituiu a ajuda de mantimentos por uma transferência em dinheiro de 84 rúpias por dia por pessoa em acampamentos. A quantia é considerada insuficiente para alimentação e itens básicos.

A líder social Mary Thombing aponta problemas graves de saneamento nos acampamentos, com banheiros inadequados ou ausentes. Ela defende um plano de segurança e de reintegração em consulta com comunidades e organizações humanitárias.

Iniciativas da igreja

A igreja presbiteriana local, ligada à comunidade de Lamjagou, planeja adquirir um terreno de 3 hectares para oferecer 80 lotes de 4 mil pés quadrados. Cada moradia seria vendida por 100 mil rúpias, com pagamento parcelado.

As doações de fiéis do sul da Índia sustentam a construção de um templo, ainda sem conclusão. Enquanto o terreno não fica pronto, os moradores continuam ocupando o espaço de igreja alugado pela congregação.

Lamjagou planeja comprar o terreno e erguer uma casa, buscando empregos e apoio financeiro público ou de doadores. A família ainda depende de renda limitada, vendendo artesanato para manter as necessidades básicas.

Lalkhup Vaiphei, pastor e secretário executivo da VBCA, destaca a dificuldade de liderar uma congregação sem moradias estáveis. Ele mantém contatos com famílias em acampamentos para planejar um retorno sustentável.

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