- Israel demoliu estruturas no complexo da agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA) em Jerusalém oriental, após ter tomado o local no ano passado.
- A UNRWA disse que a ação viola o direito internacional e as prerrogativas das Nações Unidas.
- Forças israelenses teriam entrado no complexo por volta das 7h, expulsado seguranças e trazido a maquinaria para demolir prédios.
- Alguns dos imóveis demolidos eram usados para armazenar ajuda para a Cisjordânia e Gaza.
- Israel havia banido a UNRWA de operar no país em 2024 e a prefeitura de Jerusalém cobrava impostos sobre o terreno, conforme alegado pela administração municipal.
Israel demoliu estruturas dentro do complexo da UNRWA, agência da ONU que atende refugiados palestinos, em East Jerusalem, após tomar o local no ano passado. A medida ocorreu na terça-feira, com forças israelenses cercando o perímetro e operários usando retroescavadeiras para derrubar construções de grande e pequeno porte.
A UNRWA afirma que a ação viola o direito internacional e as imunidades diplomáticas da organização. A agência disse ainda que o ataque é sem precedentes e reforça violações aos deveres de proteção de pessoal e instalações da ONU.
Segundo a UNRWA, as estruturas derrubadas eram usadas para armazenar ajuda destinada à Cisjordânia e a Gaza. A organização permanece afastada de suas instalações desde o início do ano passado, quando Israel ordenou a desocupação de todas as dependências.
Aos críticos, Israel tem apontado a parcialidade da UNRWA e mencionou que parte de seus funcionários pode integrar o Hamas. O governo israelense também afirmou que a decisão de interditar operações no país continua válida desde 2024, com relatos de ligações entre funcionários e ataques de 7 de outubro de 2023.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores israelense afirmou que o complexo não goza de imunidade e que a tomada do local foi realizada conforme leis nacionais e internacionais. A prefeitura de Jerusalém também havia visitado o espaço no ano passado para cobrar tributos não pagos.
A UNRWA afirmou que o complexo permanece remanescente sob a soberania da ONU, apesar da proibição de funcionamento imposta por Israel. A agência opera em Gaza, na Cisjordânia e em outros locais do Oriente Médio, oferecendo educação, saúde, serviços sociais e abrigo a milhões de palestinos.
Do lado palestino, autoridades locais e representantes da UNRWA destacam a dependência humanitária do espaço, que já abrigou diversas atividades assistenciais. Não houve informações sobre danos a funcionários no local nesta matéria.
– Reportagem de Pesha Magid e Rami Ayyub, com edição de Ros Russell, a partir de informações da Reuters.
Entre na conversa da comunidade