- Síria anunciou cessar-fogo imediato em todo o território com as Forças Democráticas Sírias (FDS), após quase duas semanas de confrontos.
- O acordo prevê a integração das FDS às estruturas militares e de segurança do país, com retorno do controle do governo central sobre civis, passagens de fronteira e instalações de energia administradas pela FDS; as prisões e campos de detenção de combatentes estrangeiros do Estado Islâmico também passam ao controle de Damasco.
- Regiões estratégicas no nordeste e leste sírios — al-Hasakah, Deir Ezzor e Raqqa — devem retornar ao governo, que assim aumentaria seu alcance nessas áreas ricas em petróleo e gás.
- O texto confirma direitos culturais e linguísticos curdos, incluindo o curdo como língua oficial e o Ano Novo Curdo como feriado nacional, uma formalização citada como inédita desde 1946.
- Observadores e refugiados criticaram o acordo, afirmando que não reduz temores de perseguição a minorias; organizações internas destacam aumento de violência contra cristãos, alauítas e drusos, com risco de novas tensões na região.
Ao menos um cessar-fogo imediato foi anunciado na Síria, envolvendo o governo de Damasco e as Forças Democráticas Sírias (FDS), lideradas por curdos. O acordo chega após quase duas semanas de confrontos e visa estabilizar o nordeste e leste do país.
O texto do acordo, apresentado pelas autoridades, prevê a integração das FDS às estruturas militares e de segurança do governo. O governo central passará a controlar áreas civis, passagens de fronteira e instalações de energia antes administradas pelas FDS.
O presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, disse que o entendimento permitirá retomar o controle de al-Hasakah, Deir Ezzor e Raqqa, regiões estratégicas com reservas de petróleo e gás. O acordo foi assinado em Damasco, após reunião com o enviado dos EUA, Tom Barrack.
Mazloum Abdi, comandante das FDS, confirmou o cessar-fogo à televisão curda. Ele afirmou que a medida busca evitar uma guerra maior e que períodos de combate foram impostos às forças curdas. Abdi disse que informará as comunidades curdas sobre os termos.
Segundo o texto, instituições civis, fronteiras e instalações energéticas passam ao governo central. Soldados e milícias das FDS devem ser integrados aos Ministérios da Defesa e do Interior. Prisões e campos de detenção com combatentes estrangeiros também ficarão sob responsabilidade de Damasco.
O acordo inclui compromissos com direitos culturais e linguísticos curdos, com o curdo reconhecido como língua oficial e o Ano Novo Curdo como feriado nacional. A medida é apontada como a primeira formalização desses direitos desde 1946.
Um refugiado curdo sírio, residente na Europa, afirmou que o acordo não reduz os temores das minorias. Ele relatou violência contra curdos, alauítas, drusos e cristãos e disse que celebrações de aniversário de “libertação da Síria” aumentaram a apreensão.
O mesmo interlocutor citou ataques a alauítas no litoral, agressões a drusos no sul e ataques a igrejas em Damasco. Disse ainda que há relatos de combatentes aliados às novas autoridades exibindo símbolos ligados ao EI.
A Portas Abertas incluiu a Síria na 6ª posição da Lista Mundial de Vigilância 2026, divulgada em 14 de janeiro. A organização aponta aumento da violência contra cristãos, com cerca de 300 mil cristãos no país e 27 mortes por motivação religiosa no período analisado.
Entre os incidents citados, a organização mencionou um atentado suicida em 2025 contra a Igreja Ortodoxa Grega de Mar Elias, em Damasco, que deixou 22 fiéis mortos. O contexto político atual manteve cristãos sob pressão, segundo a Portas Abertas.
O refugiado cristão afirmou que não pode retornar à Síria, por risco de perseguição. Ele criticou a cobertura midiática europeia e disse que, mesmo com a mudança de governo, a segurança das minorias permanece frágil.
Contexto internacional e vigilância
- O acordo envolve dilemas de coordenação entre Damasco, FDS e potências externas, com foco na estabilidade regional e na proteção de minorias.
- Autoridades afirmam que a integração militar busca normalizar a administração do território, enquanto organizações de direitos humanos avaliam impactos sobre liberdades civis.
Fontes citadas pelo governo indicam que o texto do cessar-fogo também aborda a cooperação em segurança, controle de prisões e preservação de identidades culturais, mas permanecem dúvidas sobre a efetiva proteção de comunidades religiosas em áreas de fronteira.
Entre na conversa da comunidade