- A Elliptic identificou pelo menos 507 milhões de dólares em Tether (USDT) passando por contas que parecem controladas pelo banco central da Iran.
- O relatório aponta uma “acumulação sistemática” de stablecoins da Tether, com possível objetivo de driblar o sistema bancário global e sustentar o rial.
- Os fatos ocorrem em meio a sanções internacionais e a repressão a protestos no país, com Israel já indicando contas de cripto ligadas aos Guardas Revolucionários Iranianos.
- Nigel Farage já tinha promovido a Tether; Reform UK afirma que doações seguem a lei e que a instituição apoia o povo iraniano na sua busca por liberdade.
- A Tether diz ter política de tolerância zero a uso criminoso e já congelou mais de 3,4 bilhões de dólares em ativos; porém, a maior parte das contas associadas ao banco central iraniano continua ativa.
Iran utiliza grande volume de stablecoins do Tether, aponta relatório
Um estudo de Elliptic, empresa de análise de criptomoedas, indica que o banco central do Irã tem utilizado grandes quantidades de uma stablecoin da Tether. A empresa afirma ter rastreado ao menos 507 milhões de dólares em USDT passando por contas que, segundo a própria análise, seriam controladas pelo banco central iraniano. O material descreve uma acumulação sistemática dessa moeda estável, criada para manter a paridade com o dólar.
Essa movimentação seria parte de uma estratégia para contornar o sistema financeiro global, facilitando transações internacionais e potencialmente oferecendo lastro ao rial, a moeda local. O cenário ocorre em meio a sanções que dificultam o acesso ao câmbio e aos bancos tradicionais, elevando a curiosidade sobre o uso de criptomoedas pelos governantes iranianos.
As informações surgem em um momento de protestos intensos no Irã, com milhares de mortes atribuídas à repressão. A matéria não identifica responsáveis diretos pelas operações, mas levanta perguntas sobre o papel de autoridades iranianas na gestão de ativos digitais.
Nigel Farage, ex-líder do Partido Reform UK, aparece na reportagem ligada à discussão pública sobre criptomoedas. Em setembro, Farage afirmou que planejava defender o uso de Tether em encontros com o governador do Banco da Inglaterra, citando a stablecoin como instrumento de transição entre moedas tradicionais e digitais. O veículo cita ainda que a Tether é alvo de controvérsias relativas a sanções e monitoramento de atividades ilícitas.
A Tether, por sua vez, informou que mantém uma política de tolerância zero a usos ilícitos de seus produtos financeiros. A empresa disse cumprir diretrizes de sanções dos Estados Unidos e que coopera com autoridades para congelar ativos suspeitos quando identificados como ligados a atividades criminosas. A Tether ressaltou ainda que já colaborou com dezenas de agências de aplicação da lei em diversos países.
Entre os outros elementos do material, também há referências a vazamentos de contas associadas aos Guardas da Revolução Iraniana, revelados por Israel no ano anterior. A reportagem cita que, embora algumas contas suspeitas tenham sido congeladas pela Tether, a maioria das contas associadas ao banco central iraniano continuaria ativa, segundo a análise da Elliptic.
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