- Depois da derrubada de Nicolás Maduro, incerteza persiste em Cúcuta sobre se venezuelanos retornarão ao país ou se novas chegadas ocorrerão.
- Igrejas e organizações cristãs na fronteira oferecem comida, médicos e abrigo a migrantes, com destaque para a Casa de la Misión e a Casa Sobre la Roca.
- Vários venezuelanos, como Frank González e Jonathan Coche-Vásquez, viajaram de Valencia para a Colômbia em busca de trabalho em Bogotá, enfrentando roubos pelo caminho.
- Cúcuta abriga mais de duzentos mil venezuelanos; Villa del Rosario soma cerca de 37 mil, e o fluxo na Ponte Simón Bolívar está menos intenso do que em ondas anteriores.
- Líderes religiosos destacam a necessidade de apoio contínuo e de mudanças políticas profundas na Venezuela, mantendo o trabalho solidário e a prática da fé como suporte aos migrantes.
O jornalismo registra o impacto humano após a queda de Nicolás Maduro. Em Cúcuta, fronteiraColômbia-Venezuela, migrantes venezuelanos buscam abrigo, alimento e apoio médico enquanto as consequências políticas se desenrolam. A mudança de governo recente alimenta incertezas sobre fluxos migratórios.
No domingo quente, na igreja Casa Sobre la Roca, moradores de alto padrão da cidade convivem com venezuelanos que chegaram há dias. Homens com mochilas gastas se acomodam no salão, após longas jornadas saindo de Valencia, na Venezuela.
Jonathan Coche-Vásquez e o tio Frank González deixaram a Venezuela em 2 de janeiro e chegaram a Cúcuta. Ouviram, no dia seguinte, sobre a captura de Maduro por meio de rádios locais, o que lhes deu esperança incompleta diante da continuidade do governo chavista.
A expectativa muda conforme surgem sinalizações internacionais, como a presença de representantes do Departamento de Estado dos EUA em Caracas para avaliar reencontro diplomático, e a reunião entre a oposição e o ex-presidente Donald Trump que ocorreu em 15 de janeiro. O sentimento é de incerteza sobre retorno ou nova migração.
Assistência e rede de apoio
A dupla gingou entre a fé e a necessidade: buscam trabalho em Bogotá, em áreas como jardinagem ou construção, para sustentar-se. O deslocamento se dá em meio a roubos em áreas públicas, que deixou apenas roupas em sacos improvisados. Ainda assim, participam da missa dominical para buscar conforto espiritual.
Ediober González, outro venezuelano, coordena distribuição de alimentos desde 2018 por organizações como Samaritan’s Purse. Ele fugiu de uma escola que ensinava propaganda cubana e descreve a fuga como motivada pela fome e pela falta de liberdade. Hoje, atua como diácono na comunidade.
A situação de Cúcuta reflete duas ondas migratórias desde 2016, quando crises econômicas se acentuaram. A cidade recebe venezuelanos que entram pela fronteira, buscando abrigo em abrigos, cozinhas comunitárias e igrejas que surgiram com apoio de organizações religiosas.
Estruturas de apoio e esperança
O Casa de la Misión, em Villa del Rosario, abriga refugiados, incluindo jovens que passam por um currículo de treinamento missionário. O local funciona também como centro de atendimento médico e de assistência social, com médicos como Bruno Mendive atendendo dezenas de pacientes diários.
Pastores locais destacam a importância de ouvir os migrantes, além de fornecer comida, roupas e remédios. O trabalho abraça famílias deslocadas pela violência na região do Catatumbo e reforça redes de solidariedade entre venezuelanos e colombianos.
William Lacle, que lidera a Igreja Missionária Batista Mi Alto Refugio, planeja ampliar o espaço de convivência para atender centenas de crianças com comidas tradicionais como hallacas, em ações apoiadas por organizações humanitárias. Em meio às mudanças políticas, muitos veem na fé um apoio estável.
Perspectivas e cautelas
Líderes comunitários alertam que mudanças no cenário venezuelano dependem de desfechos políticos mais amplos, incluindo a remoção de outros nomes do poder além de Maduro. Enquanto isso, migrantes permanecem na fronteira ou buscam destinos dentro da Colômbia.
Casas religiosas da região reconhecem o papel de acolhimento como resposta humanitária, mantendo serviços de alimentação, educação e saúde para venezuelanos e colombianos afetados pela violência. Os relatos destacam a resiliência de quem busca reconstruir a vida.
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