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Groenlândia divulga diretrizes de sobrevivência com armas de caça e suprimentos

Groenlândia publica guia de cinco dias de auto-suficiência, com estoque de comida, água, rádio e armas, em contexto de tensão no Ártico

Moradores da Groenlândia protestam contra Trump, que tenta anexar a ilha aos EUA. "Não estamos à venda", diz um manifestante em uma das placas exibidas no ato.
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  • Groenlândia publicou a brochura Preparado para crises – seja autossuficiente por cinco dias, com orientações para a população em caso de crise.
  • O documento recomenda estocar alimentos por cinco dias, três litros de água por pessoa por dia, papel higiênico, rádio a pilha e também armas, munição e material de pesca.
  • O ministro da Autossuficiência, Peter Borg, chamou o material de “apólice de seguro” e disse que não se espera precisar utilizá-lo.
  • O contexto envolve o interesse do presidente dos EUA, Donald Trump, em adquirir a Groenlândia; a população local tem forte oposição à anexação, e autoridades ressaltam que, apesar de improvável, um conflito não pode ser descartado.

Desde o governo da Groenlândia, uma nova brochura com orientações de sobrevivência em caso de crise foi divulgada na quarta-feira, 21. O documento, intitulado Preparado para crises – seja autossuficiente por cinco dias, orienta a população a armazenar alimentos, água, itens de higiene, rádio a pilha e itens de defesa, incluindo armas e munição.

O ministério da Autossuficiência, representado pelo ministro Peter Borg, afirmou que a finalidade é ampliar a resiliência local. A publicação teve início no ano passado, com foco inicial em cortes de energia prolongados. O governo afirma que a iniciativa busca reduzir vulnerabilidades diante de cenários extremos.

A Groenlândia possui cerca de 57 mil habitantes, 90% de origem inuit, para quem caça e pesca são atividades centrais. O governo enfatizou que preparar-se é preferível a não se preparar. O primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen ressaltou que, embora improvável, uma intervenção militar não pode ser descartada.

Contexto geopolítico atual

Os inuit vivem em regiões árticas que incluem Canadá, Alasca, Groenlândia e partes da Rússia. A atenção internacional ao território aumentou desde o retorno de Donald Trump à política externa dos EUA, com declarações sobre aquisição da Groenlândia para conter influência de rivais no Ártico. Trump afirmou que negociações devem ocorrer sem uso de força, mas mantém posição de relevância estratégica para a região.

Pesquisa de janeiro de 2025 aponta forte oposição local à anexação norte-americana: 85% dos groenlandeses rejeitam a ideia, enquanto apenas 6% manifestaram apoio. Analistas consideram a medida uma precaução diante da intensificação da competição geopolítica no Ártico.

Autoridades groenlandesas e especialistas destacam que, mesmo com baixa probabilidade de conflito armado, o cenário atual exige preparação cívica. O objetivo é garantir funcionamento básico de serviços essenciais e defesa comunitária, em um ambiente de maior pressão externa.

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