- Centenas de africanos sem experiência militar têm sido atraídos à Rússia com promessas falsas de emprego e enviados à linha de frente na Ucrânia.
- Relatos indicam que alguns são usados como força de ataque, incluindo supostos ataques suicidas contra posições ucranianas.
- Vídeos recentes mostram um jovem africano identificado como Francis com explosivo preso ao peito, sob pressão para avançar.
- Passaportes são confiscados e campanhas de recrutamento oferecem salários elevados, com uso de apps de jogos e redes sociais para alcançar novos recrutados.
- A Ucrânia estima mais de 1.400 pessoas de quarenta países africanos lutando pela Rússia; autoridades africanas dizem que jovens estão sendo explorados.
Nos relatos recentes, centenas de africanos sem experiência militar teriam sido atraídos para integrar as forças russas na Ucrânia, sob promessas de empregos civis e salários altos. Após chegar à Rússia, muitos teriam sido enviados ao front com poucos dias de treino e sem possuir mais direitos sobre seus passaportes. Em alguns casos, relatos indicam que os recrutados foram usados como força de choque em ataques frontais.
A Reuters, o Instituto americano de Estudos de Guerra e outras fontes descrevem uma prática recorrente de exploração de recrutados estrangeiros. Segundo as fontes, recrutadores prometiam trabalhos de segurança e empregos agrícolas, mas os voluntários acabaram atuando como tropas de combate.
Entre os casos difundidos recentemente, um vídeo divulgado mostra um jovem africano identificado como Francis equipado com explosivos, em posição de ataque em direção a uma posição ucraniana. Em conversas gravadas, falas agressivas de soldados russos aparecem dirigidas aos recrutados, que protestam diante da situação.
A estimativa de Kyiv é de que mais de 1.400 pessoas de 36 países africanos estejam lutando a serviço da Rússia, com muitos relatos de contratos em língua russa e condições severas de permanência. Em dezembro, entidades internacionais destacaram a prática de confiscar passaportes dos recrutados ao chegar à Rússia.
Segundo análises, há indícios de undertones raciais e xenófobos no tratamento a esses recrutados, além de uma mudança gradual nas táticas de recrutamento à medida que Moscou enfrenta dificuldades com a oferta doméstica de combatentes. Atração por salários elevados, que chegam a até 2 mil dólares mensais, aparece como fator decisivo para alguns casos.
Contexto regional
Países africanos têm acompanhado o tema com preocupação. Governos da região discutem medidas para combater o tráfico de pessoas e a exploração de jovens em meio à crise de empregos locais. Houve denúncias de casos em que cidadãos foram enganados com promessas de vistos, viagens e liberdades limitadas para retornar.
Outros continentes também aparecem na pauta de recrutamento: Central Asia, Süd Asia e América Latina aparecem entre os alvos, segundo relatos de fontes internacionais. A análise indica que as ações visam prolongar a duração do conflito na Ucrânia.
A Rússia tem flexibilizado leis de cidadania e utilizado aplicações de jogos e plataformas de redes sociais para encontrar recrutados estrangeiros. Com mudanças nessa estratégia, especialistas apontam que o objetivo é ampliar o fluxo de combatentes para o front.
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